Jornalista chama a atenção para importância da biodiversidade da Amazônia

O jornalista Leandro Altheman está nesse momento na Amazônia Peruana, do outro lado da fronteira da Serra do Divisor. Leandro está fazendo seu trabalho de campo para o mestrado em antropologia que está cursando pela UFPR.

Assistindo pelas redes sociais as queimadas fora de controle que ocorrem na Amazônia brasileira, o jornalista postou em sua página no facebook um texto em que traz exemplos dos potenciais da biodiversidade e dos saberes nativos sugerindo um tipo de desenvolvimento baseado na pesquisa científica.

Leia o Texto:

No momento em que a floresta amazônica brasileira arde em chamas, me encontro na Amazônia peruana, do outro lado da fronteira, mas a continuidade da mesma floresta.

Aqui também ocorrem queimadas sazonais  para preparação do solo para agricultura, mas em menor intensidade. Nada comparado ao que se noticia do Brasil com base nos satélites e programas de vigilância.

Meu objetivo aqui é justamente estudar a forma tradicional de relação que os povos nativos desenvolveram  com diferentes plantas e árvores durante os milênios de ocupação da Amazônia.

A relação se dá especialmente através do conceito de medicina. Cada árvore e cada planta representa diferentes potenciais de cura para os mais diversos problemas de saúde. Meu estudo não se restringe à pesquisas sobre o uso popular das plantas, mas experimentando no próprio corpo, através do método nativo Shipibo, os efeitos das plantas e árvores, além de acompanhar o tratamento de outras pessoas.

Entre as árvores e plantas estudadas estão por exemplo:

Chuchawasi – para fortalecimento do corpo. Usado da forma adequada aumenta a disposição física e combate dores no corpo.

Ajos quiros (pau d’alho) – ajuda a eliminar sintomas de tristeza e confusão mental. Traz alegria e bem estar.

Sapote renaco (apuí) – restaura ossos, ligamentos e articulações.

Há muitas outras espécies utilizadas para por exemplo, aumentar a potência da voz de canto ou para evocar proteção durante uma cerimônia.

Entre as plantas menores, destaco o Tanti Rao, sem classificação botânica precisa, cuja utilização tem sido observada durante minha pesquisa, para sanar diferentes problemas de ordem mental e emocional, com sucesso em todos casos observados.

Há ainda, claro, um universo de outras plantas, árvores e raízes utilizadas para os mais diversos fins.

O objetivo aqui nessa postagem, foi apenas trazer alguns exemplos do tipo de potencial e de conhecimento que está sendo destruído e desperdiçado com as queimadas fora de controle, e na desvalorização dos saberes tradicionais e o que pode ser ganho, no futuro, para o país e para a humanidade, através de um trabalho sério e comprometido de pesquisas científicas e respeito aos saberes dos povos nativos. Mas para isso, é necessário que no presente haja preservação do bioma amazônico e dos modos de vida dos povos tradicionais. De outro modo, muito será perdido para sempre. Quero acreditar que a humanidade, especialmente a humanidade brasileira, será capaz e digna de zelar por um patrimônio dessa magnitude.