Licitações ‘emperradas’ atrapalham o Governo de Gladson Cameli

Infelizmente o Acre ainda é um Estado que depende sobremaneira do dinheiro público. E não só dos salários dos servidores. A sua vida econômica precisa do fluxo dos recursos de obras para poder sobreviver. Assim são gerados a maioria dos empregos na iniciativa privada e a circulação financeira no comércio. O atual Governo está patinando na questão das licitações. Muitas obras que deveriam já terem sido licitadas ainda não foram. Parece que existe uma lentidão no processo burocrático. Ouvi muitas reclamações de empresários do ramo da construção civil sobre isso. E não são os de oposição ao atual Governo, mas aliados. Soma-se a isso a licitação da mídia ou da publicidade governamental que também deu pra trás voltando à estaca zero. É um quadro “perigoso” que começa a se desenhar para a atual gestão. A questão é que essas licitações geram empregos no Acre. Seja na construção civil, no comércio ou na área de prestação de serviços. Se não houver agilidade nos trâmites legais para as empresas de diversos setores trabalharem teremos uma grande gritaria em breve que poderá comprometer a popularidade do governador Gladson Cameli (Progressista).

Acomodados
Também observo alguns secretários acomodados. Sentados em cima das cadeiras achando que o poder do qual disfrutam vai durar pra sempre. Isso é uma grande ilusão porque o tempo passa pra todos. E o poder é como uma roda gigante que quem está na cadeira de cima passa para a debaixo naturalmente.

Consciente
Tive a oportunidade de conversar com o governador sobre essas licitações “emperradas” rapidamente, sem detalhar nenhuma delas. Pelo que pude perceber ele está consciente do que está acontecendo. Inclusive, notei ele irritado com o comportamento de alguns secretários. Acredito que em muito pouco tempo “cabeças vão rolar”.

Você tem fome de quê?
Outro aspecto também importante a se destacar é que algumas empresas do Acre sonham em tirar o pé da miséria em pouco tempo. Não é assim que a banda toca. Se não tiverem preço poderão perder licitações para empresas de fora. O que não é bom pra ninguém obviamente. Que o dinheiro fique no Estado, mas o pessoal precisa também fazer os seus ajustes para poder ser mais competitivo.

Pra ser justo
Por incrível que pareça, como já escrevi nessa coluna, é mais fácil falar com o governador do que com alguns dos seus secretários. Mas vale frisar que nem todos são assim. Alguns dos mais produtivos e mais ocupados da equipe de Governo são os mais fáceis de se conversar por telefone. Destacando que sou jornalista então quando ligo para um secretário o objeto da conversa é trabalho e não futilidades. Agora, fico a pensar que se não atendem um jornalista que trabalha em mídias na Capital e no Juruá, como deve ser com o povão.

Candidatura familiar
Outro dia me encontrei por acaso com o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales (MDB) num restaurante. Conversamos um pouco. Ele me garantiu que o grupo político dele terá uma candidatura para disputar a prefeitura de Cruzeiro do Sul. O nome mais cotado é o do filho Fagner Sales (MDB) que ocupa uma diretoria do DERACRE no Juruá.

A tese do Leão
Vagner argumentou que o Fagner tendo no pai um ex-prefeito e uma liderança política, na mãe uma deputada estadual e na irmã uma federal terá apoio suficiente pra vencer a empreitada. Assim parece que tudo está encaminhado mesmo para mais uma candidatura familiar. No entanto, sempre é bom combinar também com os eleitores.

Quadro de Cruzeiro
Acredito que as eleições, em Cruzeiro do Sul, na disputa da prefeitura, em 2020, terá três grupos políticos na disputa. O do atual prefeito Ilderlei Cordeiro (Progressista), o do Vagner Sales e os escombros do que sobrou da FPA que, aliás, nunca ganhou uma eleição pra prefeito no município, mesmo durante os muitos anos que esteve no poder do Estado.

Fortalecido
Se a gente falasse das eleições de Cruzeiro, em 2020, no ano passado, teríamos um candidato a menos. Mas o prefeito Ilderlei Cordeiro deu uma alavancada forte na sua gestão, sobretudo, no ano de 2019. Seja ele mesmo o candidato ou outro do seu grupo não será batido facilmente. Entrará na disputa com possibilidades de vitória. Agora, tudo sempre dependendo da campanha porque serão grupos representativos na disputa.

O fator um turno
Não só em Cruzeiro, mas nos outros 20 municípios do interior do Acre as eleições são em um único turno. Isso tornam os resultados imprevisíveis. Pode ser que uma candidatura, por exemplo, com apenas 20 a 25% dos votos saia vitoriosa dependendo do número de candidatos. Também é fato que por esse fato aqueles que irão disputar as suas reeleições levam grande vantagem. E pra quem está na cadeira de prefeito quanto mais candidatos melhor. Com os votos divididos ficarão mais fáceis as eventuais reeleições.

Em Rio Branco, é outro papo
Por outro lado, na Capital temos a eleição em dois turnos. Então o jogo eleitoral muda completamente. Se tornará favorito quem conseguir, no segundo turno, agregar mais lideranças políticas à sua candidatura. Acredito que teremos em Rio Branco um segundo turno entre o atual grupo que está na prefeitura, seja a prefeita Socorro Neri (PSB) ou outro nome, e a oposição que no plano estadual é situação. Acho que teremos uma chuva de candidatos para disputar a prefeitura de Rio Branco. Será um jogo bruto essa eleição.

Por Nelson Liano Jr – Notícias da Hora