Lideranças indígenas do AC se mobilizam para denunciar política de Bolsonaro

Índios de várias etnias do Acre vão aderir à campanha internacional “Sangue Indígena: Nenhuma Gota Mais”, que será realizada até o dia 20 de novembro, em 12 países da Europa e que é liderada por lideranças indígenas brasileiras para denunciar o que consideram graves violações perpetradas contra esses povos e o meio ambiente do Brasil. As lideranças consideram que uma politica de retrocesso contra a causa indígena vem ocorrendo de forma sistemática no país desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro deste ano, e querem chamar a atenção do mundo para este problema no Brasil, principalmente na Amazônia e no Acre em especial.

De acordo com Francisco Piyako (lê-se Pianco), um dos líderes indígenas mais influentes do Acre e dirigente da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, onde vive o povo de sua etnia, os Ashanninkas, no município de Marechal Thaumaturgo, Alto Juruá, entre os países previstos que aderiram à causa estão Itália, Vaticano, Alemanha, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda, França, Reino Unido, Suíça, Portugal e Espanha. A campanha é realizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), em parceria com organizações da sociedade civil.

A jornada visa promover medidas que pressionem o Governo brasileiro a cumprir os acordos de preservação do meio ambiente e respeito aos direitos dos povos indígenas, dos quais o Brasil é signatário, a exemplo o Acordo de Paris, a Convenção 169 – que garante Consulta Livre, Prévia e Informada – e a Declaração da ONU sobre direitos dos povos indígenas. “O Governo Bolsonaro, além de não cumprir esses acordos, ainda ameaça direitos que nós já conquistamos”, disse Piyaco

As lideranças visitarão autoridades e lideranças políticas, religiosas, deputados do Parlamento Europeu, Órgãos de Cooperação Internacional, empresários, tribunais internacionais, universidades, ativistas, ambientalistas, artistas e influencers em todos os países. A comitiva será composta por Sonia Guajajara, Alberto Terena, Angela Kaxuyana, Célia Xakriabá, Dinaman Tuxá, Elizeu Guarani Kaiowá e Kretã Kaingang e Francisco Piyako.

  • Por Tião Maia, para o Contilnet.