Acre investiga casos suspeitos de sarampo; bebê de 11 meses está em estado grave
Dois casos suspeitos de sarampo estão sendo investigados no Acre após exames iniciais apresentarem resultados detectáveis para o vírus. Os pacientes são uma criança de 11 meses, internada em estado grave, e uma mulher de 30 anos. Ambos moram em Puerto Maldonado, no Peru, e estão hospitalizados em Rio Branco.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), os dois passaram pelos municípios de Assis Brasil e Brasileia antes de serem atendidos na capital acreana. Diante das notificações, equipes estaduais, municipais e do Ministério da Saúde intensificaram as ações de investigação, monitoramento de contatos e prevenção.
Os exames iniciais de RT-PCR tiveram resultados detectáveis para o vírus do sarampo. As amostras, no entanto, ainda serão encaminhadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela análise confirmatória. Por isso, os dois casos continuam oficialmente em investigação.
As informações epidemiológicas levantadas até o momento indicam características de casos importados, com possível exposição ao vírus fora do Acre. A classificação definitiva, porém, dependerá da conclusão da investigação.
A Sesacre explica que a definição de um caso como importado considera o local provável em que ocorreu a infecção, e não somente onde o paciente mora ou recebeu atendimento.
Bebê está em estado grave
A criança de 11 meses permanece internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e apresenta quadro considerado grave, conforme a última atualização.
A paciente de 30 anos também está hospitalizada, mas não apresenta sinais de gravidade. Os dois seguem acompanhados pelas equipes de saúde em Rio Branco.
Contatos estão sendo monitorados
A investigação envolve o Ministério da Saúde, a área técnica de sarampo da Sesacre e os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), além das equipes municipais.
Também participam das ações a Vigilância Epidemiológica, a Divisão de Humanização, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), a Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (Renaveh) e as secretarias municipais de Saúde.
Os Cievs estadual, da regional de fronteira de Brasileia e de Rio Branco já monitoram os casos e as pessoas que tiveram contato com os pacientes.
A atuação inclui a identificação e acompanhamento desses contatos, suporte laboratorial e adoção de medidas para reduzir o risco de transmissão.
A articulação chegou ainda às autoridades sanitárias peruanas. O Cievs Nacional e o Peru, por meio do ponto focal do Regulamento Sanitário Internacional, participam do acompanhamento da situação.
Bloqueio vacinal será realizado
Entre as medidas previstas está o bloqueio vacinal em Brasileia e em unidades de saúde de Rio Branco por onde os pacientes passaram ou receberam atendimento.
A ação será realizada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into), além de Brasileia. A vacinação será direcionada às pessoas que tenham indicação, conforme avaliação das equipes e os protocolos de vigilância.
As medidas incluem ainda o reforço das orientações à rede de atendimento e aos profissionais de saúde.
População deve verificar vacinação
A Sesacre reforça que a vacinação é a principal medida de prevenção contra o sarampo e orienta a população a verificar a caderneta e procurar uma unidade de saúde para atualizar as doses indicadas.
Entre os principais sintomas da doença estão febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e irritação nos olhos.
Quem apresentar esses sinais deve procurar atendimento e informar aos profissionais de saúde caso tenha viajado recentemente ou mantido contato com alguma pessoa com suspeita da doença. Sempre que possível, a recomendação é avisar previamente a unidade de saúde para que sejam adotadas medidas de prevenção da transmissão.