O Juruá Em Tempo
Acre

Justiça dá cinco dias para Mailza se defender em ação que aponta suposta falsificação em diploma

Por Redação Juruá em Tempo.
Justiça dá cinco dias para Mailza se defender em ação que aponta suposta falsificação em diploma
PUBLICIDADE

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) recebeu uma ação apresentada pelo candidato ao Governo do Acre, senador Alan Rick (Republicanos), que questiona o certificado de Licenciatura em Pedagogia apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis (PP) em seu registro de candidatura. A decisão, publicada no início da tarde desta segunda-feira, 28, determina que Mailza e a candidata a vice-governadora Jéssica Sales apresentem defesa no prazo de cinco dias.

A decisão é do corregedor regional eleitoral, desembargador Samoel Evangelista, relator da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0601100-94.2026.6.01.0000, ajuizada pela coligação Trabalho da Esperança e por Alan Rick contra as duas candidatas.

PUBLICIDADE

O recebimento da ação não significa que o TRE-AC tenha concluído que o certificado é falso ou que houve irregularidade. Nesta etapa, o relator considerou que a petição descreve os fatos e apresenta provas, indícios e circunstâncias suficientes para que o processo tenha prosseguimento, sem verificar hipótese para rejeição liminar.

PUBLICIDADE

A ação sustenta que Mailza teria utilizado conscientemente um documento falso na apresentação do pedido de registro de candidatura. A autenticidade do certificado e as demais alegações ainda serão analisadas no decorrer do processo.

Ação aponta supostas inconsistências no certificado

Segundo a decisão, Alan e a coligação afirmam que o certificado apresentado por Mailza seria “materialmente inidôneo”. O documento teria sido expedido em 10 de março de 2020 pelo Instituto de Ciências Sociais e Humanas (ICSH), de Valparaíso de Goiás, e registra colação de grau em 6 de março daquele ano.

Entre os argumentos apresentados na ação está uma suposta incompatibilidade entre a carga horária de 3.260 horas de um curso que, conforme os autores, era ofertado exclusivamente de forma presencial, e as atividades políticas exercidas por Mailza, no Acre e em Brasília, durante o período de formação.

A ação também cita uma missão oficial do Senado Federal em Nova York, entre 8 e 13 de março de 2020, período que inclui a data de expedição do certificado. Outro ponto levantado é que Mailza declarou ensino médio completo ao registrar sua candidatura a vice-governadora em 2022.

Os autores mencionam ainda que o certificado faria referência a um órgão expedidor de identidade que, segundo a ação, somente passou a constar no documento de identidade de Mailza em novembro de 2020. Todos esses pontos constituem alegações apresentadas pelos autores e ainda serão submetidos ao contraditório no processo.

TRE diz que ação não discute escolaridade, mas possível fraude

Ao analisar o caso, Samoel Evangelista fez uma distinção entre a escolaridade declarada pela candidata e o objeto da nova investigação.

Segundo o magistrado, a ação “não se destina a reexaminar a condição de elegibilidade relativa à alfabetização”, questão própria do processo de registro de candidatura. O que será apurado é a alegação de uso consciente de documento falso na instrução do registro.

A decisão cita entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segundo o qual a utilização consciente de documento falso pode ser apurada como fraude em Ação de Investigação Judicial Eleitoral.

Na ação, Alan e sua coligação pedem, ao final, a declaração de inelegibilidade de Mailza e a cassação do registro ou do diploma da chapa majoritária. Também solicitam o envio de cópias ao Ministério Público Eleitoral. Em relação a Jéssica Sales, a própria decisão registra que não há pedido de inelegibilidade; ela integra o processo porque eventual cassação do registro ou diploma atingiria a chapa majoritária.

TRE ainda vai decidir sobre documentos do instituto

Alan também pediu que o TRE-AC requisite informações ao Ministério da Educação (MEC) e ao Instituto de Ciências Sociais e Humanas, além de eventual universidade responsável pelo registro do diploma.

Esses pedidos não foram decididos agora. O relator determinou que a análise seja feita depois da apresentação da defesa, quando poderá avaliar a necessidade e a pertinência das provas solicitadas.

O pedido para que Mailza apresente o certificado original, frente e verso, também ficou para essa etapa. O magistrado, porém, facultou às candidatas apresentar junto com a defesa uma cópia integral do certificado e o respectivo histórico escolar.

Depois do prazo de cinco dias para a defesa, o processo voltará ao relator para que ele decida sobre a produção das provas. A Procuradoria Regional Eleitoral também deverá ser comunicada da decisão.

Questionamento começou antes da ação no TRE

A discussão sobre a formação acadêmica de Mailza ganhou espaço na campanha depois de Alan Rick questionar o certificado durante o debate entre candidatos ao Governo do Acre promovido pela TV Gazeta, no dia 21 de setembro. Mailza não participou do encontro.

Na ocasião, Alan levantou dúvidas sobre como a adversária teria concluído um curso presencial em Valparaíso de Goiás enquanto exercia atividades políticas no Acre e classificou como “tecnicamente impossível” a situação descrita por ele.

Na quinta-feira, 24, o candidato também encaminhou requerimento diretamente ao ICSH pedindo que a instituição confirmasse a autenticidade e a validade do certificado. O pedido incluía informações sobre matrícula, frequência, histórico escolar e ata de colação de grau.

Agora, o questionamento passa a tramitar formalmente no TRE-AC por meio da AIJE. Mailza ainda não se manifestou sobre o caso.