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ONGs acionam STF para investigar uso de emendas em desmate ilegal no Acre

Por Redação Jurua em Tempo
ONGs acionam STF para investigar uso de emendas em desmate ilegal no Acre
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Entidades de combate à corrupção solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar o uso de máquinas compradas com emendas parlamentares que resultaram em desmate ilegal e invasão de terras indígenas no interior do Acre. O pedido foi protocolado na última terça-feira, 21, e cita especificamente casos envolvendo a construção do Ramal Barbary, entre Porto Walter e Cruzeiro do Sul.

De acordo com a petição, assinada pela Transparência Internacional, Transparência Brasil e Contas Abertas, o maquinário adquirido com recursos públicos foi usado sem licenciamento ambiental, gerando impactos socioambientais significativos para comunidades locais, incluindo a Terra Indígena Jaminawa do Igarapé Preto. “Esses recursos, distribuídos sem avaliação de riscos socioambientais, acabam por possibilitar condutas ilícitas com graves impactos sobre o meio ambiente e povos indígenas”, afirma o documento.

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A série de reportagens da Folha, que motivou a petição, revelou que deputados e senadores destinaram desde 2015 mais de 1.600 máquinas pesadas para estados da Amazônia Legal, incluindo o Acre, com verbas ao menos três vezes superiores às aplicadas em ações de proteção ambiental na região. A reportagem mostrou que parte desse maquinário foi utilizada para abrir estradas e ramais de forma irregular, muitas vezes beneficiando diretamente propriedades ligadas a políticos locais.

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No caso do Ramal Barbary, a obra não só invadiu terras indígenas, como também passou por áreas de propriedade da família do deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC), que na época era prefeito de Porto Walter. Em entrevista à Folha, Barbary afirmou que “faria tudo de novo” e descreveu as exigências legais como “burocracia”, alegando que sua conduta visava tirar o município do isolamento.

O ministro Flávio Dino, relator do principal processo sobre emendas parlamentares no STF, será responsável por decidir sobre as medidas requeridas pelas entidades, que incluem acionar a Polícia Federal e órgãos ambientais para avaliar os riscos do uso de maquinário público em atividades de desmatamento ilegal.

•Ac24horas