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Carne bovina: menos gado disponível pode mudar preços em 2027

Por Redação Juruá em Tempo.
Carne bovina: menos gado disponível pode mudar preços em 2027
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A pecuária brasileira começa uma nova etapa do ciclo de produção, marcada pela redução da oferta de animais para abate e pela recomposição dos rebanhos. A mudança deve influenciar a produção de carne bovina, as exportações e o comportamento dos preços ao longo de 2027.

As projeções foram apresentadas durante o 6º Fórum Pecuária Datagro. Segundo a consultoria, a produção formal de carne bovina deve passar de aproximadamente 10,7 milhões de toneladas em 2026 para 10,1 milhões em 2027, uma redução próxima de 600 mil toneladas. Outra estimativa aponta queda de 7,9% no número total de animais abatidos, de 44,7 milhões para 41,2 milhões de cabeças.

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A redução da oferta está relacionada principalmente à retenção de fêmeas. Com menos vacas sendo destinadas ao abate, aumenta a quantidade de animais mantidos nas propriedades para recompor o rebanho.

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Em Rondônia, esse movimento já aparece de forma mais acentuada. Dados apresentados no fórum indicam redução do abate de fêmeas no estado, considerado um dos principais produtores de bezerros do país. A queda é apontada pela Datagro como um dos sinais de que a retenção de animais para recomposição do rebanho está avançando.

Ao mesmo tempo em que a oferta de animais diminui, o mercado externo aumenta sua participação na produção brasileira.

De acordo com os dados apresentados pela Datagro, cerca de 20% da produção nacional era destinada ao exterior em 2016. Para 2026, a estimativa é de aproximadamente 38,7%. Para 2027, a participação projetada durante o fórum chega a 41,8%. Outra publicação técnica baseada nos dados da consultoria aponta uma projeção de 41,6%, diferença decorrente da base utilizada no cálculo.

As exportações brasileiras também registraram desempenho histórico nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e agosto, foram embarcadas aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de carne bovina, com receita de US$ 12,79 bilhões, segundo dados divulgados com base na balança comercial brasileira. O faturamento cresceu 21,7% em relação ao mesmo período de 2025.

A China continua como principal destino da carne brasileira. No entanto, a redução das compras chinesas em meses recentes mostrou a importância da diversificação dos mercados. Filipinas, México, Argentina, Vietnã e Indonésia estão entre os países que ajudaram a absorver parte da produção.

Em agosto, os embarques brasileiros recuaram na comparação com o mesmo mês de 2025 após a utilização da cota chinesa para importação sem a incidência de tarifa adicional. Apesar da queda naquele mês, o acumulado de janeiro a agosto continuou positivo.

Rondônia tem participação nas exportações

O cenário internacional tem impacto direto sobre a economia de Rondônia. A carne bovina foi o principal produto exportado pelo estado em 2025, com US$ 1,46 bilhão em vendas externas. A China respondeu por US$ 688,1 milhões desse valor, seguida pelo Chile, com US$ 113,8 milhões, e pelo México, com US$ 111,6 milhões.

No primeiro quadrimestre de 2026, as exportações de carne bovina congelada ou fresca de Rondônia somaram US$ 498,66 milhões. A China foi novamente o principal destino, com US$ 206,43 milhões, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 77,48 milhões, e pelo México, com US$ 34,92 milhões.

Os números mostram a participação do estado em um mercado cada vez mais conectado à demanda internacional. Em 2025, Rondônia registrou US$ 3 bilhões em exportações totais, considerando todos os produtos, e alcançou 109 países como destinos comerciais.

No mercado brasileiro, o indicador da Datagro para o boi gordo atingiu recorde nominal de R$ 367 por arroba entre abril e maio de 2026. Depois, com o encerramento da cota chinesa, o valor recuou para aproximadamente R$ 325, mas voltou rapidamente para a faixa de R$ 350 por arroba.

Para 2027, a Datagro também projeta redução do consumo doméstico formal de carne bovina. A estimativa apresentada durante o fórum indica queda de aproximadamente 10,6%, de 6,603 milhões para 5,905 milhões de toneladas em equivalente-carcaça.

Segundo a consultoria, a projeção está relacionada a um cenário de desaceleração da economia e menor crescimento da renda, fatores que podem reduzir a demanda interna por carne bovina.

Com a retenção de fêmeas, a oferta de animais deve permanecer mais restrita durante o processo de recomposição do rebanho. Ao mesmo tempo, as exportações ganham participação na produção nacional, aumentando a importância do mercado externo na formação dos preços.

Natália Figueiredo - Portal SGC