Mulher confessa ter matado o marido, mas não é presa por restrição eleitoral
Priscila de Jesus, suspeita de matar o marido, o fazendeiro Vanderlei Poyer de Oliveira, de 42 anos, em Mirante da Serra (RO), se apresentou à Polícia Civil na quarta-feira (30) e confessou o crime. Em depoimento, ela afirmou que agiu para se defender das agressões do companheiro. Apesar de a Justiça ter expedido um mandado de prisão preventiva contra ela, a ordem não foi cumprida devido às restrições previstas na legislação eleitoral.
Vanderlei foi morto na noite de domingo (27), e o corpo foi encontrado em uma estrada na zona rural do município. Uma caminhonete com as duas portas traseiras abertas estava próxima ao local. No interior do veículo, os policiais encontraram vestígios de sangue e uma bolsa com a carteira e os documentos de Priscila.
Segundo o delegado Flaviano José, a mulher relatou que discutiu com o marido dentro do veículo e usou uma faca para se defender. As duas filhas do casal estavam na caminhonete no momento do crime.
Entenda a restrição eleitoral
A legislação eleitoral brasileira proíbe a prisão de eleitores nos cinco dias que antecedem as eleições e nas 48 horas seguintes ao encerramento da votação, salvo em situações específicas, como flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou desrespeito a salvo-conduto.
De acordo com o delegado, a restrição impediu o cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido contra Priscila. A medida, no entanto, não significa que ela esteja livre de responder criminalmente pelo caso.
Perícia identificou perfuração no peito
O exame realizado pelo médico-legista apontou uma perfuração no lado esquerdo do peito de Vanderlei. A vítima também apresentava ferimentos nas mãos, lesões que, segundo o delegado, são compatíveis com uma tentativa de defesa.
A faca apontada como instrumento do crime foi encontrada dentro da caminhonete. Conforme a Polícia Civil, testemunhas disseram que Vanderlei costumava manter uma faca no veículo.
Ainda segundo a investigação, após o golpe, Priscila deixou uma das filhas ao lado do corpo do fazendeiro, às margens da estrada, e seguiu para uma área urbana em busca de ajuda.
O delegado informou que ela procurou um estabelecimento comercial e comunicou ao proprietário que o marido estava morto. Depois disso, a mulher desapareceu e não foi mais vista até se apresentar à Polícia Civil.
Portal SGC