Polícia mira rede de R$ 100 milhões que levava fuzis ao CV
Um grupo investigado por utilizar documentos falsos para obter registros de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), adquirir armas e posteriormente vendê-las a integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Bonde do Maluco (BDM), em diferentes partes do país, é alvo de operação deflagrada nesta segunda-feira (28/9). Segundo as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões.
A investigação aponta que, após a aquisição formal, as armas eram desviadas para o mercado clandestino. De acordo com os elementos reunidos no inquérito, os armamentos obtidos por meio do esquema foram localizados com integrantes das facções criminosas. Entre as armas identificadas estão fuzis, carabinas e pistolas de diferentes calibres.
A Operação Mercador, deflagrada em parceria entre a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) e a Polícia Civil da Bahia (PCBA), cumpre mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados. Na Bahia, as diligências ocorrem em Salvador e Lauro de Freitas; no Rio de Janeiro, na capital e em Niterói; no Ceará, em Fortaleza e Icapuí; e no Rio Grande do Sul, em Santa Maria.
O esquema
As investigações apontam que o grupo utilizava documentação fraudulenta para obter o Certificado de Registro (CR) de CAC. Com o registro, os integrantes adquiriam armas de fogo que eram posteriormente destinadas à comercialização ilegal.
A estrutura investigada contava com divisão de tarefas para aquisição, circulação e venda clandestina dos armamentos. A polícia identificou que a organização criminosa também teria movimentado recursos obtidos com as transações. Empresas relacionadas aos alvos apresentavam características incompatíveis com as atividades econômicas declaradas, além de alterações societárias e movimentações financeiras consideradas atípicas. Os investigadores analisaram relatórios financeiros e constataram movimentações superiores a R$ 100 milhões.
Um dos alvos da operação possui endereço em um condomínio residencial na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo a PCERJ, ele é um dos articuladores da organização criminosa e atuava no comando e na coordenação da estrutura responsável pelo comércio ilegal de armas de fogo.
A ação é conduzida pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), unidade vinculada ao Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), com apoio operacional do Departamento de Repressão e Combate ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), do Departamento de Inteligência Policial (Dip) e do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom).