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Caso Davi: laudo confirma que menino de 3 anos foi torturado e abusado sexualmente

Por Redação Juruá em Tempo.
Caso Davi: laudo confirma que menino de 3 anos foi torturado e abusado sexualmente
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O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Davi Lucas Santos Maia, de 3 anos, já vinha sofrendo agressões físicas antes de morrer em uma comunidade rural na divisa entre Porto Acre e Boca do Acre. A perícia também identificou uma lesão na região anal compatível com violência sexual, posteriormente confirmada por exame laboratorial. O caso aconteceu no último dia 8 de setembro

Conforme os relatos preliminares, o padrasto do garoto — que foi detido após o caso —  informou à família que a criança teria sofrido uma queda de uma escada. Diante da situação, familiares levaram o menino para receber atendimento médico. Na unidade de saúde, porém, os profissionais encontraram diversas lesões e hematomas pelo corpo da criança. Porém, os sinais identificados inicialmente não seriam compatíveis com uma queda acidental, e a criança já chegou ao local sem vida.

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De acordo com  Ítalo Maia, diretor do Instituto Médico Legal (IML), foram encontradas diversas lesões em diferentes estágios de cicatrização, o que, conforme a avaliação pericial, indica que as agressões não ocorreram apenas no momento que antecedeu a morte. “Isso corrobora para essa hipótese de tortura, violência repetida, reiterada contra a criança”, afirmou o médico-legista.

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Ítalo Maia e Carlos Bayma — Foto: Reprodução

Ainda segundo Ítalo, as características das lesões indicam que parte das agressões pode ter sido provocada por objetos. Entre as possibilidades levantadas estão uma vara, pedaço de madeira ou cano. A perícia não descarta, porém, que também tenham ocorrido agressões com as mãos.

“Tudo indica que as lesões eram feitas por algum objeto: ou uma vara, ou um fio, algum instrumento contundente. Pelas mãos também é possível, não dá para dizer que não havia agressão com as mãos também, mas, especificamente, está muito claro que foi utilizado alguns objetos, né: um pedaço de de pau, uma vara, um cano, alguma coisa assim”.

Mãe será indiciada como coautora

Com os novos elementos da perícia, a situação da mãe de Davi, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, também deve mudar na investigação. Segundo o delegado Carlos Bayma, responsável pelo caso, ela inicialmente era investigada por maus-tratos, mas deverá ser reindiciada como coautora dos crimes apurados.

De acordo com Bayma, após o envio do laudo ao Poder Judiciário, o indiciamento deverá incluir abuso, maus-tratos, homicídio qualificado e o crime previsto no artigo 217-A do Código Penal, referente a estupro de vulnerável. “Inicialmente, a mãe naõ era investigada como coatora, ela tinha sido indiciada por maus-tratos, mas, agora, com essa nova descoberta, ela será indiciada”, enfatizou.

Perícia contesta versão de queda

Bayma também afirmou que a versão de que Davi teria morrido após cair de uma escada não foi confirmada pela perícia do Instituto de Criminalística. Segundo o delegado, a análise do local apontou que o piso onde teria ocorrido a queda era de barro e arenoso, e não de cimento ou asfalto.

“Aquela escada, segundo a perícia do Instituto de Criminalística, não dá para morrer uma criança porque o piso não é cimento, o piso não é asfalto, o piso é barro e é arenoso”, declarou.

Para o delegado, os elementos reunidos até o momento apontam para agressões que teriam provocado a morte da criança.

Avô havia tentado ficar com a guarda de Davi

Antes da morte do menino, o avô materno, João Evangelista, afirmou em entrevista à TV Acre que a família havia tentado assumir os cuidados de Davi.

Segundo ele, a criança chegou a morar por um período com os familiares, que mantinham uma relação de afeto com o menino. João também afirmou que a família entendia que a mãe não tinha condições de criar o filho e chegou a oferecer ajuda para que Davi permanecesse com eles.

O avô relatou ainda que, em uma ocasião, Ana Clara teria aparecido com marcas pelo corpo e atribuído as lesões a uma queda.

O relato passou a integrar o contexto da investigação sobre as circunstâncias em que Davi vivia antes de morrer.