Ex-secretária da Mulher faz forte desabafo sobre gestão de Mailza “quem tem mais espaço de poder são os homens”
Em um relato divulgado nas redes sociais, nesta quinta-feira, 1º, a delegada de Polícia Civil e ex-secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, tornou público o seu descontentamento com a postura da governadora Mailza Assis, candidata à reeleição pelo Progressistas, no que tange à representatividade e às políticas públicas voltadas para o público feminino no Acre. Com quase três décadas de dedicação à defesa dos direitos das mulheres, a delegada relatou a dor e o desapontamento com os rumos adotados pela atual gestão.
Segundo Márdhia, a mudança de postura foi imediata após a transição no Poder Executivo estadual. Apesar de ter recebido promessas diretas de apoio durante a posse, a ex-secretária acabou por ser dispensada do cargo poucos dias depois.
“A posse dela [Mailza] foi na quinta-feira. Ela me abraçou e disse que contava muito comigo, que precisava muito de mim. Na terça-feira, fui chamada ao Palácio e ela me exonerou sem justificativa. Fui a primeira mulher a ser exonerada”, desabafou Márdhia.
Para Márdhia, sua exoneração não foi um caso isolado, mas sim o início de um processo de substituição de quadros femininos capacitados por nomes masculinos em posições de destaque.
“Depois disso, várias outras mulheres também foram exoneradas. Mulheres que vinham desempenhando um bom papel, elogiadas pelas população, pelo trabalho técnico que vinham fazendo. Não eram mulheres incompetentes, eram mulheres que se destacavam na gestão. E ela fez o contrário: tirou e colocou homens, o que mostra a falta de compromisso que ela tem com as mulheres”, afirmou a delegada.
Com uma carreira construída no combate à violência de género, Márdhia lamentou a ausência de envolvimento da governadora nas pautas da própria secretaria. “Como titular da pasta das mulheres, eu não sentia que ela tinha empatia com as mulheres. Ela não segurou a mão da Secretaria das Mulheres, não participava das ações da secretaria. Quem mais está ao lado dela hoje, quem tem mais espaço de poder, são homens”, declarou.
Outro ponto abordado por Márdhia foi o papel desempenhado pelo esposo de Mailza Assis na administração pública, Madson Cameli. A delegada enfatizou o constrangimento enfrentado perante órgãos federais em Brasília devido aos desdobramentos e processos que envolvem a figura do chefe de gabinete pessoal da governadora.
“Quando eu ia a Brasília, lá no Ministério das Mulheres, eles já sabiam que a então vice-governadora era casada com um homem que agredia mulheres, e era muito feio para a gente. É um tapa na cara para quem trabalha com violência contra a mulher. A partir do momento em que ela mistura a vida particular com a vida pública e nomeia o marido para um cargo alto, coloca como chefe de gabinete dela… É muito difícil estar num governo em que a pessoa mais influente é um homem que espanca mulheres”, concluiu.