O Juruá Em Tempo
Destaque 2

Resex Chico Mendes no Acre é a terceira área protegida mais desmatada da Amazônia

Por Redação Juruá em Tempo.
Resex Chico Mendes no Acre é a terceira área protegida mais desmatada da Amazônia
PUBLICIDADE

A Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, aparece como a terceira unidade de conservação mais desmatada da Amazônia Legal entre janeiro e agosto de 2026. De acordo com levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta terça-feira (29), a reserva perdeu 13,8 quilômetros quadrados de floresta no período.

A Resex fica atrás apenas de duas áreas do Pará, a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, com 75,19 km², e a Floresta Nacional de Altamira, com 26,91 km².

PUBLICIDADE

O Acre também se destaca pela quantidade de unidades na lista. Das 22 UCs da Amazônia com desmatamento superior a 1 km² nos oito primeiros meses do ano, sete estão em território acreano. O Pará tem o mesmo número de unidades no ranking.

PUBLICIDADE

Além da Chico Mendes, integram a relação a Floresta Estadual do Rio Gregório (6,1 km²), a Reserva Extrativista do Alto Juruá (2,98 km²), a Floresta Estadual do Mogno (2,44 km²), a Floresta Estadual do Rio Liberdade (2,24 km²), a Floresta Estadual Afluente do Complexo do Seringal Jurupari (1,9 km²) e a Floresta Estadual do Antimary (1,85 km²). Cinco das sete são florestas estaduais.

Somadas, as unidades acreanas perderam 31,3 km² de floresta, o que corresponde a 16% de todo o desmatamento registrado em UCs na Amazônia Legal, que chegou a 192,8 km² no período.

O quadro é diferente nas terras indígenas. Nenhum território do Acre aparece entre os sete da Amazônia com derrubada acima de 1 km². Em toda a região, as TIs somaram 32,25 km² de desmatamento, apenas 1,6% do total. Segundo o Imazon, 246 terras indígenas (63%) não registraram nenhuma área derrubada entre janeiro e agosto.

No conjunto da Amazônia Legal, o desmatamento acumulado de 2026 chegou a 2.053 km², o segundo menor para o período desde 2018. O Acre contribuiu com 253 km², alta de 27% sobre o ano anterior.

A degradação florestal, provocada por queimadas e exploração madeireira, caiu 72% na região no mesmo intervalo. Em agosto, o Acre respondeu por 3% da área degradada, enquanto Mato Grosso (47%) e Pará (32%) concentraram a maior parte.

A pesquisadora do Imazon Manoela Athaíde explica que esse indicador costuma oscilar mais que o desmatamento. “Os números da série histórica de degradação têm variado mais do que os do desmatamento, que normalmente apresenta tendências de queda ou de alta ao longo de alguns anos. Na degradação, picos de queimadas podem aumentar significativamente a área atingida em alguns anos, o que demonstra o quanto tem sido desafiador combater o fogo na Amazônia”, disse.