Bets: governo Lula diz que já derrubou 10 mil sites de apostas ilegais
O governo federal afirmou, nesta sexta-feira (2/10), que já derrubou 10 mil sites de apostas ilegais desde que as bets foram proibidas no Brasil, na última sexta-feira (25/9).
Ao todo, o número de sites de apostas ilegais já identificados no país é de cerca de 88 mil. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que até a última sexta, já haviam sido identificados e tirados do ar 78 mil. Como houve mais 10 mil desde a sexta, o total chega a 88 mil.
Prazos para o fim das bets
- Vigência: já está proibido fazer apostas on-line e realizar novas publicidades sobre bets;
- 23h59 de 5 de outubro: prazo para apostadores retirarem saldos das plataformas; retirada de todas ações de publicidade de bets, em meios físicos e digitais;
- 6 de outubro: sites e aplicativos saem do ar;
- Entre 7 e 8 de outubro: bets devem informar aos bancos os valores que estão nas contas, por CPF;
- Entre 9 e 14 de outubro: devolução integral dos saldos, por meio dos bancos;
- A partir do dia 14 de outubro: em caso de impedimento, a Caixa intermediará a devolução dos valores.
“Nós já passamos de 10 mil sites encaminhados para o papel para derrubada. Na última entrevista coletiva nós tínhamos 5.219. Dados no dia de ontem (quinta-feira, 1º), eram 8.357 e hoje já passamos de mil”, disse Silva.
Os endereços digitais irregulares foram repassados para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e serão derrubados “em questão de horas”, conforme Silva.
O ministro da Justiça e Segurança Pública afirmou que foi criado um departamento específico para acompanhamento das bets e de outras questões que também são mais importantes para o governo federal.
“Nós criamos um departamento de fiscalização no âmbito da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom). São estruturas enxutas, mas muito ágeis que vão tratar, no caso da Senacom, não só do tema das bets mas o cambismo digital, o tema dos combustíveis e outras áreas de atuação”, afirmou Silva.
Ainda conforme o ministro, também foi criada uma coordenação geral na Polícia Federal (PF) que vai tratar de lavagem de dinheiro no âmbito das bets, mas ainda em outros setores. Em relação à restrição de publicidade das bets, Silva informou que 3,5 milhões de pessoas passaram a estar protegidas com a medida.
O ministro falou à imprensa no Ministério da Fazenda após se reunir com o titular da pasta, Dario Durigan, para tratarem de um balanço dos resultados da proibição do serviço no país.
Contas sob investigação
No balanço, foi divulgado que havia 48 contas de apostadores com saldos superiores a R$ 500 mil. Ao menos parte delas pode ser investigada por lavagem de dinheiro.
“Pode pode ser que sim (seja lavagem de dinheiro). Não estou dizendo que todas são, mas há uma movimentação discrepante, que tinham o recurso em apostas e podem sim estar sujeitas a alguma investigação. Elas estão sendo investigadas pela coordenação da Polícia Federal”, pontuou Durigan.
O ministro da Fazenda afirmou também nesta sexta que, com base uma apuração realizada em uma parceria entre a pasta e o Banco Central, foi verificado que as casas de apostas movimentavam R$ 600 milhões por dia.
“A movimentação diária para casas de apostas antes de sexta-feira (25/9) passada rodava em torno de R$ 600 milhões por dia. E essa é uma movimentação que deixou de existir a partir de sábado, no dia seguinte da entrada em vigor da Medida Provisória (MP) [que estabeleceu a proibição do serviço no Brasil]”, afirmou Durigan.
Com diminuição na movimentação, houve a redução no saldo das empresas de apostas. O volume passou de R$ 2 bilhões para R$ 1,4 bilhão.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cumpriu uma das principais promessas da campanha deste ano e determinou, por meio de uma medida provisória assinada no último dia 25, a proibição das apostas on-line, as bets, em todo Brasil.