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Cartão de crédito: regra em estudo pelo governo pode afetar mais consumidores de alta renda

Por Redação Juruá em Tempo.
Cartão de crédito: regra em estudo pelo governo pode afetar mais consumidores de alta renda
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A ideia de limitar as emissões de cartão de crédito em discussão no governo e revelada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter mais impacto em pessoas de renda mais alta do que na população mais pobre.

Interlocutores do setor financeiro apontam, com base em análises preliminares, que os casos em que a mesma pessoa tem vários cartões de crédito são bem mais frequentes no público com renda acima de 10 salários mínimos.

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Além disso, o ritmo de crescimento de emissões para rendas mais altas entre 2018 e 2026 foi mais acelerado do que na renda mais baixa, de até um salário mínimo, quase triplicando a média de cartões por pessoa no período.

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Com juros que em muitos casos superam a marca de 400% ao ano no rotativo, os cartões de crédito estão na mira do governo que tenta lidar com o problema do alto endividamento de uma parcela das famílias brasileiras.

A questão do volume de dívidas no Brasil também incomoda o próprio setor financeiro, que tem lidado com aumento da inadimplência.

Para integrantes do governo e agentes do mercado, parte do problema começa a ser resolvido com o fim das bets, que estaria drenando recursos que antes eram usados para pagar dívida de um lado e, ao mesmo tempo, estimulando a criação de novas dívidas.

O novo Desenrola Brasil, no formato em que o governo compra blocos de dívida com desconto, também é visto de forma positiva nos bastidores do setor bancário. Isso porque nessa nova versão, cujo primeiro leilão será em novembro, o governo deve alcançar não só dívidas bancárias, como também de outros setores, enfrentando de forma mais ampla o tema.

No governo, o Desenrola é visto como um passo que não pode prescindir de medidas adicionais para conter o endividamento caro e insustentável. Na atual gestão, já foram adotadas medidas, por exemplo, para limitar o custo do rotativo do cartão, mas o formato, na prática, que veda que a dívida original dobre, não afetou os custos de operações de curto prazo, o que aumenta efetivamente a dívida das pessoas.

Dentro da estratégia de buscar conter essa fonte de dívidas caras, o governo e o setor privado discutem alternativas. Lula mencionou uma delas ontem, a de limitar o número de cartões por pessoa, mas já reformulou seu discurso, diante da repercussão negativa em setores da sociedade e agora diz que somente vai proibir envio sem solicitação.

Uma possibilidade oferta é limitar a oferta ostensiva de crédito. Para integrantes do Banco Central, há uma oferta predatória, com envio de cartões e limites pré-aprovados. Isso está na mira do regulador.

Nas discussões, o governo também avalia aumentar exigências de capital para operações mais caras que elevam as dívidas das pessoas, de forma a tirar um estímulo para esse tipo de operação.