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Augusto Cury: o vendedor de sonhos que comprou um Dark Horse

Por Redação Juruá em Tempo.
Augusto Cury: o vendedor de sonhos que comprou um Dark Horse
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Augusto Cury é psiquiatra, nasceu em Colina, no interior de São Paulo, e se tornou um dos escritores mais vendidos do país, com mais de 30 milhões de livros, segundo ele e suas editoras, e cerca de 10 milhões de seguidores no Instagram. Em 2026, decidiu ser candidato a presidente. Para entender o que aconteceu na campanha, basta conhecer cinco de seus livros.

O primeiro, Inteligência Multifocal, de 1999, traz a teoria que sustenta toda a sua obra. Segundo Cury, a maioria dos nossos pensamentos não nasce da nossa vontade. Uma crítica ou uma provocação funciona como um gatilho que abre janelas da memória. As piores, que ele chama de janelas killer, guardam raiva, medo ou vaidade e fazem a pessoa agir sem pensar. Para se proteger, ele ensina a técnica DCD, sigla de Duvidar, Criticar e Determinar. Diante de um impulso, primeiro se duvida dele, depois se critica e só então se decide.

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O mais famoso é O Vendedor de Sonhos, que virou filme. Nele, um homem malvestido, chamado de Mestre, impede um professor de se jogar de um prédio e sai pela cidade criticando a obsessão por fama, dinheiro e poder. O Mestre não tem cargo, não tem partido e não quer nenhum dos dois.

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Em Ansiedade, Como Enfrentar o Mal do Século, Cury alerta para a mente acelerada pelo excesso de informação e de redes sociais. Em Nunca Desista de Seus Sonhos, ensina que a derrota é uma etapa, e não o fim da linha. E em O Homem Mais Inteligente da História, seu maior sucesso de vendas, analisa Jesus como alguém que manteve a calma sob pressão e recusou o poder quando quiseram fazê-lo rei.

Pois bem. Durante a campanha, o candidato Cury parece ter esquecido de reler o escritor Cury. E os cinco livros foram ficando na estante, um de cada vez.

O primeiro a pegar poeira foi o Mestre. Em abril, Cury entrou no Avante dizendo não amar o poder, igualzinho ao personagem. Só que, na convenção que oficializou a candidatura, na Assembleia Legislativa de São Paulo, estavam na plateia o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, presença que já dava uma pista de que lado da disputa ele estava.

Depois foi a vez de Ansiedade. Em agosto, após um debate na TV, Cury viralizou, ganhou milhões de seguidores e saltou de 2% para 10% nas pesquisas. O autor que alertava contra a hiperconexão virou queridinho do algoritmo. Em setembro, quando o engajamento caiu, desconfiou da Meta, dona do Instagram, e pediu uma auditoria internacional, na mesma plataforma em que sua campanha investiu mais de R$ 116 mil para impulsionar posts.

A própria teoria também tirou férias. Cury prometeu campanha sem ataques, mas avisou que seria o pesadelo de Lula. Pediu que Flávio Bolsonaro explicasse o dinheiro do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, provasse que não é corrupto e assinasse em cartório o compromisso de cumprir seu plano de governo. No dia seguinte, disse que não apoiaria nenhum dos dois. Uma janela abriu, outra fechou, e o DCD ficou esperando a vez.

Aí veio o resultado. Em 4 de outubro, Cury terminou em terceiro, com 3,44 milhões de votos. Na mesma noite, anunciou silêncio sobre o segundo turno e disse ter 100% de certeza de que deixaria a política. O autor de Nunca Desista de Seus Sonhos desistiu logo na primeira noite.

Por fim, o livro sobre Jesus. O silêncio durou quatro dias. Segundo apuração desta coluna, antes de decidir, Cury conversou por telefone com José Múcio, ministro da Defesa de Lula. No dia 8, numa videochamada, fechou apoio a Flávio, que assinou oito compromissos. O Dark Horse, que era condição, ficou para um próximo capítulo. Logo ele, que escreveu sobre um Jesus firme sob pressão.

Duvidar, criticar e determinar. Cury cumpriu as três etapas, só que na ordem oposta. O eleitor dará a palavra final em 25 de outubro.