A chance de Eduardo Bolsonaro ser o ministro das Relações Exteriores num eventual governo Flávio
A cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro é taxativa. A chance de Eduardo Bolsonaro ocupar o cargo de ministro das Relações Exteriores caso o irmão seja eleito é “zero”.
Como argumentos, auxiliares de Flávio destacam que Eduardo está longe do time que auxilia diretamente Flávio e fora de qualquer consulta ou decisão sobre os rumos da campanha.
Eduardo é visto como radical pelo entorno mais próximo do senador, que defende que o ex-deputado federal não ocupe vaga no governo. Avalia, porém, que a pressão de Eduardo será grande, seja para ficar com o posto chanceler ou de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, onde mora.
Aliados de primeira hora de Eduardo Bolsonaro garantem, porém, que a cúpula da campanha de Flávio está enganada e que o ex-deputado “será o que quiser” em um possível governo do irmão.
— Flávio é malandro, fala o que as pessoas querem ouvir — resumiu um interlocutor de Eduardo Bolsonaro.
Aliados do ex-deputado admitem que uma ala da campanha de Flávio nutre “pavor” por Eduardo e que “tenta, sem sucesso, afastar o senador do irmão” .
Em um vídeo publicado em seu canal no Youtube há poucos dias, Eduardo sinalizou que pode, sim, ocupar o posto de chanceler.
— Ah, Eduardo, você está falando que você vai ser MRE (ministro das Relações Exteriores)? Não estou falando isso. Os ministros são anunciados pelo presidente Flávio Bolsonaro — afirmou.
Depois acrescentou:
— Só que acho que já deu para perceber que poder é diferente de diploma na parede... Eu consigo falar com diversas autoridades, consigo me mexer. A gente consegue colocar o Flávio na cara do gol na Casa Branca para falar com o Trump, para falar com o [secretário de Estado] Marco Rubio, para decretar o CV e o PCC como grupos narcoterroristas.
Na mesma gravação, afirmou que, se eleito, Flávio vai mudar a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e que o Brasil irá integrar a aliança na área de segurança formada por Trump com países da América Latina de direita, chamada “Escudo das Américas”.
Nesta quarta-feira (7), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro no processo em que foi condenado por coação. Na mesma decisão, determinou o cancelamento dos passaportes do ex-deputado.
Eduardo Bolsonaro tinha planos de se candidatar à Presidência, mas sempre deixou claro que só abriria mão da ideia caso o senador Flávio Bolsonaro aceitasse a empreitada.