Major Rocha cumpre promessa de manter gabinete no Juruá e incomoda grupo político da região

Vice-governador volta à região e diz que espera servir de ponte ente as demandas da população local e o governo do estado em busca de soluções para problemas

O vice-governador Wherles Rocha está de fato mantendo a promessa de estreitar ainda mais os laços do governo do estado, principalmente de seu gabinete, com a população do Vale do Juruá. A montagem de um gabinete institucional do vice-governador, em Cruzeiro do Sul, para receber a população e ouvir as demandas de todo o Juruá está se concretizando e Rocha, na sua última passagem pelo município, além de falar de política, abordou também vários outros assuntos. Sobre política, conforme já divulgado, ele anunciou que seu partido – o PSDB, apesar de suas boas relações com o prefeito Ilderlei Cordeiro, que deve ser candidato à reeleição, terá candidato próprio.

A seguir, um resumo das últimas conversas do Juruá em Tempo com o vice-governador, durante sua última visita à redação, sobre assuntos até agora inéditos.

SATISFAÇÃO DE ANDAR NO JURUÁ –Eu tenho muita satisfação de andar aqui pelo Juruá, nesse contato direto com a população. Sinto-me muito gratificado por isso e entendo que uma região importante como esta aqui não pode carecer da presença constante dos gestores do Estado. Estou aqui para servir de ponte. Tenho conversado com muitas pessoas e buscado soluções para os problemas que são trazidos até a gente e, graças a Deus, temos conseguido avançar em muitas coisas. Sabemos do momento de dificuldades que o Estado atravessa, mas isso não impede que a gente, usando a boa vontade dos gestores estaduais, dos nossos secretários, resolva muitos problemas desta região do Juruá”.

OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DA REGIÃO –São vários os problemas. Mas os que estão chegando como demanda até agora são problemas como o da situação do estádio. Nós estamos prestes a finalizar os jogos estudantis e a final de futebol de salão vai acontecer aqui, mas o estádio está com problema de iluminação. Nós fomos com o secretário de Educação e viabilizamos os meios para que o problema fosse corrigido. É uma pena aquele estádio naquelas condições. Um investimento de mais de R$ 20 milhões e ter sido abandonado daquele jeito. Então, como já disse, minha ideia é servir de ponte para os problemas que o município e a região apresentam com os órgãos em Rio Branco para buscar soluções…”

O MAU ATENDIMENTO DO DEPASA “De fato nós temos problemas com o Depasa. Há poucos dias eu acompanhava o presidente do Depasa, o Zenil, e ele me relatava os problemas que o órgão enfrenta. Só para se ter uma ideia, até a cobrança das contas de água havia sido suspensa porque o Estado há mais de seis meses não pagava a empresa que gerava essas contas. Isso é só um exemplo de problemas de toda ordem. Mas o principal problema, segundo ele me relatou, foi o sucateamento das bombas que fazem a distribuição de água em Rio Branco e em alguns municípios do nosso Estado. Tivemos problemas sérios de material, para a limpeza da água, mas isso foi solucionado. Nós encontramos vazios os depósitos para o estoque dos produtos para limpeza da água a ser fornecida, mas conseguimos superar isso e suprir todas as deficiências. Mas ainda temos problemas sérios, que são esses das bombas. Há bombas que há muito tempo não têm manutenção adequada e parte das instalações foram vandalizadas, porque vândalos roubaram peças, fios, canos e outras coisas mais, mas isso tudo está sendo solucionado. Lógico que nós não conseguimos resolver isso tudo de um dia para a noite, mas a população pode ficar tranquila que o próximo passo do Depasa é pela recuperação de todas essas bombas. Temos problemas também o baixo nível dos nossos rios, o que dificulta a captação de água, mas isso não é um problema ou um fator impeditivo para que o Depasa possa fornecer água. Mas o principal problema mesmo é o sucateamento das bombas. No Depasa, nos deparamos com uma rede de distribuição de água que são muito antigas, que precisa de atenção e manutenção constante, mas há sim um trabalho para expansão dessas redes para melhor o fornecimento. Mas, no entanto, nós temos que, primeiro, garantir água em localidades onde hoje ainda temos dificuldades de fornecer água às pessoas.”

SEGURANÇA PÚBLICA –Uma das nossas grandes preocupações em relação ao Vale do Juruá, assim como em todo o Acre, se relaciona à questão da segurança pública e o combate à violência, para que aqui em Cruzeiro do Sul e em toda a região do Juruá permaneça essa sensação de segurança. Essa sensação chegou, está acontecendo, mas nós não podemos nos descuidar. Nossa Polícia Civil aqui na região carecia de reforço no armamento. Aqui, nós tínhamos facções criminosas muito bem armadas, principalmente na zona rural dos nossos municípios. Tínhamos informações disso e fizemos um levantamento lá em Rio Branco do armamento que podíamos dispor para reforçar a polícia aqui para fazer o enfrentamento a esses criminosos. Entendemos que não podemos deixar que a Polícia Civil, aqui no Juruá, vá combater a criminalidade com desequilíbrio de força – ou seja, com os bandidos mais bem armados do que nossos policiais. Isso, graças a Deus, nós estamos conseguindo. Trouxemos fuzis para nossa Polícia Civil aqui, uma nova viatura, mas, fora isso, também há a determinação de reforçarmos o policiamento de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Esses são municípios em que lá só há um policial, e isso há muitos anos. Nesse primeiro momento o reforço será com mais dois policiais, mas a ideia é que, dentro de mais quatro meses, nós tenhamos um efetivo fixo da Polícia Civil numa quantidade de policiais suficientes para termos uma delegacia de fato funcionando naqueles municípios.”  

COMBATE À VIOLÊNCIA E REDUÇÃO DE CRIMES –Aqui em Cruzeiro do Sul nós tivemos uma redução da ordem de 80% em crimes de mortes violentas e a população já sente essa diferença. Rio Branco reduziu bem menos, algo em torno de 18 a 20% – mas reduziu. Nós entendemos que esses ainda não são números que nos agradem e sei que temos que melhorar muito mais porque, cada morte que acontece, mesmo sendo fruto de uma guerra de facções, é uma estatística negativa para o nosso Estado. Então, nós temos que combater essa guerra entre as facções que hoje agem em nosso Estado de forma vigorosa e acreditamos que estamos no caminho certo. Rio Branco reduziu a violência bem menos que nos outros municípios, como Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, que foram os que mais reduziram. Mas queremos reduzir muito mais. Nós temos que lembrar que, há duas semanas atrás, a Polícia Civil fez uma grande operação que tirou de circulação uma grande liderança de facções, talvez a maior liderança do Comando Vermelho no Acre. E agora estamos contando com a ajuda da Polícia Federal. A PF foi lá e prendeu no Acre o número um e o número dois do CV”.

POLÍCIA DE FRONTEIRA –A Polícia Federal está nos ajudando muito neste combate e nós vamos implantar o policiamento de fronteira. Já saiu o edital de convocação dos policiais que vão atuar nesta unidade de fronteira. É bom lembrar que o combate ao crime na área de fronteira é constitucionalmente uma atribuição do governo federal, mas nós não podemos ficar de braços cruzados vendo entrar em nosso Estado as asmas, as drogas e esta guerra de facções sendo travadas sob as nossas barbas. Em relação a isso, o Estado tem se mobilizado e essa unidade de fronteira deve funcionar até ao final do ano. E por que até o final do ano? Por que até lá nós vamos treinar esse pessoal para trabalhar. Este é um trabalho que exige uma qualificação diferenciada. Vamos trabalhar em algumas situações de combate ao crime em áreas rurais, em florestas, o que exige uma preparação maior desse efetivo. Além do edital, que já está na rua, já temos o equipamento também, equipamento que foi disponibilizado pelo legado da força nacional de segurança pública. É algo em torno de R$ 2 milhões em equipamentos para esta unidade de fronteira, mas nós queremos mais. Nós temos, para executar só este ano, algo em torno de R$ 45 milhões e boa parte disso será investida no combate aos crimes cometidos a partir das nossas fronteiras”.

GABINETE DO VICE-GOVERNADOR NO JURUÁ. – ‘Toda vez que a gente vem a Cruzeiro do Sul – e eu venho constantemente, e também aos demais municípios do Juruá, a gente tem alguma dificuldade para conversar com as pessoas por não ter, por exemplo, um local para receber autoridades ou mesmo membros da comunidade e outros segmentos da sociedade. Não temos um espaço físico para isso. A ideia do gabinete do vice aqui é ter esse espaço aberto os 30 dias do mês, com o mês inteiro, para receber demandas. Mas, mais que isso: para podermos ficar aqui pelo menos uma semana de cada mês dedicado exclusivamente ao Vale do Juruá, despachando, recebendo a comunidade e conversando com a população, servindo, como eu disse no início, como essa ponte entre o povo da região e o Governo. Veja só: às vezes há uma demanda e a gente tem que resolver de imediato. Vou dar um exemplo: empresários aqui de Cruzeiro do Sul, na semana passada, tinham algumas demandas. Na viagem anterior, há duas semanas atrás, nos passaram uma série de demandas. Eu levei isso à Secretaria de Fazenda e parte dessas demandas foram atendidas. Se não fosse a nossa vinda aqui essa comunicação, esse link da classe empresarial do com o Governo do Estado seria mais lento porque dependeria de uma ida deles até Rio Branco. Estou falando dos empresários mas pode ser qualquer segmento da sociedade local. Nós teremos em breve então um espaço físico onde uma semana por mês nós vamos despachar, mas que vai estar aberto os 30 dias do mês para receber as demandas, para conversar e para buscar soluções para os problemas do Juruá. A ideia é estar mais presente no Juruá”.

O MAJOR QUE NÃO TEM MEDO DE “CORONEL”

(Rocha mantém acusações contra Vagner Sales: Caso ainda é de 2016, quando o ex-prefeito foi gravado fazendo propostas indecorosas para esvaziar a chapa do PSDB e que ensejou um processo de cassação nma Justiça Eleitoral)  

O vice-governador disse que mantém as acusações por entender que é preciso haver ética na política. “Não podemos admitir que práticas como aquela aconteçam. Não tenho nenhum constrangimento em falar disso – até porque eu me sinto autorizado a falar sobre isso porque fui o autor da denúncia contra o ex-presidente Lula. Também trabalhei e me empenhei muito pela eleição do Aécio Neves, mas quando veio à tona aquela situação (gravações em que o ex-candidato a presidente pedia R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista), em nenhum momento eu fiquei em cima do muro e defendi sua expulsão do Partido”, disse.

O processo contra Aécio Neves será decidido no voto, no diretório nacional do PSDB, no próximo dia 22. Rocha também mantém a acusação contra o atual deputado. “Nós não podemos ao nosso lado aquelas pessoas eu praticam ilegalidades e se forem do nosso partido, têm que ser perdoadas. Eu não penso assim. O certo é o certo e o errado é o errado e eu não estou na política para passar a mão na cabeça de ninguém, mesmo que sejam do meu próprio Partido”, disse. “Denunciei o Aécio Neves por aquela situação e o denunciei ainda na tribuna da Câmara por algumas manobras e acho que temos que nos manter nessa linha e o que é errado tem que ser denunciado. É isso e acabou”, afirmou.