O mundo ainda não conhecida a Internet e muito menos o presente fenômeno batizado como “Fake News”, mas as primeiras eleições para a presidência da República pós-ditadura militar, em dezembro de 1989, sofreram forte influência de um noticiário mentiroso muito parecido com o que se vê agora. Em 1989, o sequestro do empresário Abílio Diniz, em São Paulo, por militantes de movimentos terroristas de outros países, foi relacionado ao PT e só desmentido após eleições, com Fernando Collor eleito, e Luís Inácio Lula da Silva, derrotado – acusado de ser comparsas dos seqüestradores que mantiveram encarcerado por mais de dez dias o dono da rede de supermercados Pão-de-Açucar. Os seqüestradores presos revelaram depois que, antes de serem apresentados à imprensa, foram obrigados por policiais a vestir camisetas com a propaganda de Lula e do PT. Era véspera do segundo turno da primeira eleição presidencial do país após a ditadura militar e Collor, à época, era o candidato queridinho das elites brasileiras.
O fato aparentemente distante tem conexão com os dias atuais porque, percebendo a influência do noticiário falso e mentiroso na Internet, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, veio a público alertar, na semana passada, que se houver uma eleição influenciada por “fakenews”, o resultado será anulado. Ou seja, o Brasil ainda não se curou do trauma do seqüestro do empresário Abílio Diniz e da edição do debate da Rede Globo entre Collor e Lula, no qual os melhores momentos do candidato do PRN foram ressaltados e os piores de Lula, amplificados – de forma que o candidato do PT aparecesse, às vésperas da eleição, como um coitado sem qualquer preparo para comandar os destinos do país. Foi o segundo “fakenews” da época.
Caso se concretize a advertência da Justiça Eleitoral de anulação de uma eleição influenciada por “fakenews”, é quase certo que uma vitória do senador Gladson Cameli ao Governo do Estado este ano teria que ser profundamente analisada sob os ditames de Fux porque já está mais do que provado que o parlamentar fará – e já vem fazendo – uma campanha baseada na mentira, em notícias falsas, as famosas “fakenews”.
A última delas veio a público nos últimos dias através do setor da imprensa local simpático à candidatura do senador ao Governo do Estado. Como tocasse as trombetas do apocalipse, os sítios de notícias ligados ao senador anunciaram que sua excelência teve aumentada a escolta policial que lhe faz segurança. Até aí tudo bem. Seria só mais uma notícia exagerada se, por trás do anúncio, não contivesse a sanha e a maldade de querer imputar aos adversários do senador, entre os principais o pré-candidato ao Governo da Frente Popular, Marcus Alexandre, Jorge Viana e Ney Amorim, que disputarão o Senado, atos de violência ou sabotagem contra o senador.
Quem conhece o jogo político no Acre sabe que quem faz política na base do pescoço-para-baixo-é-canela, forjando trapaças e muitas vezes até atentando contra os adversários, está longe de serem aqueles que atuam no campo da Frente Popular – estes sim, vítimas freqüentes do jogo bruto com o qual age o setor político que ora afiança a candidatura de Gladson Cameli ao Governo. Aliás, como é de conhecimento público, quando eles não estão tramando contra os adversários, estão brigando entre si, gravando reuniões que deveriam ser discretas em áudios e vídeos posteriormente publicados como prova de que esse pessoal entende que o jogo da política passa, primeiro, pela vileza.
Ao anunciar o aumento no efetivo de segurança em torno do senador Cameli, os partidários de sua pré-candidatura ao Governo deixam de dizer, por pura maldade, que o procedimento é comum e adotado pelo serviço de inteligência do Senado em todo o processo eleitoral em que membros da Casa são candidatos – o que é o caso em tela. O policiamento é feito por membros da Polícia Legislativa e realizado sem que seja necessárias evidências de ameaças ou perseguições, apenas por precaução, o que também parece vir a ser o caso. Com aquele tipo de divulgação aqui denunciado, os partidários de Cameli buscam, de maneira infantil, propagandear que os adversários estão a tentar contra a integridade física do senador pepista.
Essa molecagem ainda faz parte do episódio em que próprio senador Cameli veio a público denunciar que o avião no qual se deslocava, acompanhado de uma equipe de jornalistas e marqueteiros, pelo interior do Acre, havia sido vítima de sabotagem enquanto passara a noite taxiado no aeroporto de Tarauacá. Se descobriu depois, com ajuda das redes sociais, que o tal “atentado” não passou de brincadeiras de um bando de jovens que depois de encher a cara num dos bares da cidade, nas imediações do aeroporto, e em companhia do senador e parte de sua equipe, resolveu utilizar o avião como cenário para uma série de fotografias que eles tiraram, inclusive em cima da aeronave, e depois as publicaram no Facebook. O senador mais uma vez foi desmascarado e a fama de mentiroso que ele vem adquirindo cada vez mais vai se materializando como um sinal na pele.
Mesmo com a pantomima descoberta, o senador e seus partidários, ao falarem do aumento do efetivo de segurança em seu entorno, voltam, descaradamente, a falar do “atentado” ao avião. Esse comportamento infantiloide dos partidários do senador reforça o vazio de propostas de sua candidatura ao Governo. Ao invés de apresentar propostas para uma futura governança do Estado, o senador e seus assessores e conselheiros prendem-se a este jogo moleque de fazer política.
A verdade é que, ainda que os adversários quisessem fisicamente atingir ao senador, teriam sérias dificuldades na consecução do desiderato contra a integridade do parlamentar porque ele dificilmente é encontrado nas terras em que deveriam vir fazer campanha, pela prosaica razão de que, vira e mexe, ele vive flauteando pelo exterior. Agora mesmo, quando a “fakenews” do aumento do efetivo de segurança em seu entorno foi publicada, sua excelência o senador estava em Genebra, na Suíça, e as más línguas dizem que ele estaria dando uma esticadela à Rússia para ver hoje a nossa Seleção em campo. Assim fica difícil chegar perto do senador, com ou sem segurança…
Cuidado, Gladson:o ministro Fux vai ficar de olho em suas mentiras…

