Mara Rocha e Roberto Duarte os “calos” no sapato de Gladson Cameli

 

Nelson Liano Jr

Na política acontecem coisas imprevisíveis. Quem diria que o governador Gladson Cameli (Progressistas) teria no início da sua gestão “oposicionistas ferrenhos” saídos justamente da base que o elegeu. Ainda mais de dois partidos, PSDB e MDB, que possuem grande número de cargos no atual Governo. Mas esse é o atual quadro político que surpreende qualquer analista. O deputado estadual Roberto Duarte (MDB), que se diz independente, não tem poupado o Governo nos seus pronunciamentos na Tribuna da ALEAC. Chegou a levar um avião de brinquedo para protestar contra a licitação de uma aeronave. Também tem feito denúncias contra a situação da saúde e da contratação de empresas de fora do Acre para prestarem serviços por aqui. Por outro lado, a deputada federal Mara Rocha (PSDB) não esconde a sua contrariedade com o governador nas suas postagens nas redes sociais. Mesmo sendo irmã do vice Major Rocha (PSDB), a parlamentar tem sido implacável nas suas críticas ao atual Governo. Lembrando que tudo começou quando “pediu a cabeça” do secretário de Agronegócio Paulo Wadt, que ela mesma, anteriormente, indicou para o cargo. Ao não ser atendida por Gladson Cameli, Mara declarou publicamente por diversas vezes não fazer mais parte da base governamental.

Lei do retorno
Nesse episódio de Mara Racha houve retaliação por parte do Governo com a exoneração de 20 nomeados sob a sua influência política. Uma situação que tende a se agravar mais se os “bombeiros” de plantão não intervirem.

Complicador
Mara Rocha já está eleita presidente do PSDB do Acre. Ela deverá assumir o cargo nos próximos dias. O que é natural. Quando se tem um deputado federal na legenda, seja qual for, o Diretório Nacional tende a coloca-lo como presidente regional. Nesse caso, as divergências internas do PSDB poderão trazer mais dores de cabeça para o governador Gladson Cameli. Com o comando tucano nas mãos, assim que assumir, Mara poderá criar situações políticas delicadas.

Base unida
Agora, acho difícil que mesmo com os conflitos da deputada o PSDB venha a abandonar a base governista na ALEAC. O partido tem ainda vários nomeados, alguns em postos de comando de secretarias. Assim os deputados estaduais Luiz Gonzaga (PSDB) e Cadmiel Bonfim (PSDB) devem continuar votando nos projetos e apoiando o Governo. Ali, na prática, é onde Gladson precisa de mais aliados para manter a governabilidade.

Outro caso
Em relação ao Roberto Duarte, que não indicou cargos no Governo, a situação é tranquila. As secretárias Eliane Sinhasique e Maria Alice, que são do MDB, gozam da confiança do governador. Portanto, não correm o risco de serem exoneradas. Dos três votos medebistas na ALEAC, dois devem votar com o Governo. As deputadas Meire Serafim (MDB) e Antônia Sales (MDB) deverão continuar na base.

Oposição prudente
Conversei esses dias com um dos deputados estaduais da oposição. Ele me disse que no momento o governador Gladson Cameli goza de alta popularidade. Portanto, não pretende fazer uma oposição agressiva. Um outro parlamentar oposicionista me disse algo parecido. Segundo ele, é importante dar o crédito de pelo menos um ano para o atual Governo para depois se fazer críticas mais contundentes.

Resumindo…
Gladson Cameli poderá contar, no momento, com 16 dos 24 votos na ALEAC. Isso lhe dá a garantia de aprovar qualquer projeto que desejar. Essas dissidências de “aliados” não irão afetar o fluxo do seu mandato. O governador ainda tem muita “gordura” para queimar, ou seja, ainda goza de alta popularidade. Fato que pode ser facilmente comprovado com o sucesso da EXPOACRE e da inauguração do novo Pronto-Socorro de Rio Branco. Mas é sempre bom ter cuidado porque na política o jogo muda rapidamente. Terá que dar respostas urgentes à sociedade em duas áreas essenciais e delicadas do seu Governo: saúde e segurança pública. Se conseguir esse feito poderá navegar em mar calmo ainda por muito tempo.