A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 29, mostra as ex-ministras do governo Lula (PT) Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) liderando as intenções de voto ao Senado em São Paulo, com 14% e 12%, respectivamente, o que significa um empate técnico dentro da margem de erro. A dupla, que faz parte da chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual, aparece à frente do grupo político apoiado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Em terceiro lugar, Pablo Marçal (União) pontua 9%, ainda que ele não tenha sido definido como candidato da federação União-PP no estado e esteja inelegível. Tecnicamente empatado, mas numericamente em quarto lugar, está o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que marca entre 7% e 8% a depender do cenário.
A Quaest testou dois cenários: um com José Aníbal (PSDB), e outro sem. Ele vinha se colocando como pré-candidato ao Senado nos últimos meses, mas nesta terça-feira (28) o partido decidiu lançar Soninha Francine (PSDB) ao cargo.
O outro candidato na chapa do governador, o deputado estadual André do Prado (PL), pontua 5% nos dois cenários e aparece em quinto lugar. Em seguida, Ricardo Salles (Novo) e Paulinho da Força (Solidariedade) aparecem tecnicamente empatados: no cenário sem Aníbal, Salles chega a marcar 5% (empatando com Prado), mas pontua 4% quando Aníbal é considerado. Já Paulinho marca 4% nos dois quadros. Também foi testado o nome de Robson Tuma (Republicanos), ex-deputado federal, que pontua 3% nos dois cenários. Aníbal aparece com 1%.
O pleito é considerado prioritário tanto para os aliados do candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) quanto para a ala ligada ao presidente Lula (PT).
A maioria dos entrevistados, entretanto, ainda não escolheu em quem vai votar para senador: até 21% se dizem indecisos e o número de pessoas que declaram voto em branco ou nulo chega a 20%. Especialistas apontam que, historicamente, o voto ao Senado é um dos últimos a ser definido pelos eleitores. Além disso, o grau de definição do voto ainda é baixo: 54% admitem que podem mudar de opinião. Em abril, data do levantamento anterior da Quaest, essa taxa era de 60%.
Neste ano, os eleitores escolherão dois candidatos ao Senado nas urnas para mandatos de oito anos. As vagas abertas em São Paulo são ocupadas hoje por Mara Gabrilli (PSD) e Giordano (MDB), que não devem concorrer à reeleição. Os vencedores se juntam ao astronauta Marcos Pontes (PL), cujo mandato vai até 2030.
Foram consultados, ao todo, 1.650 eleitores do estado de São Paulo, com mais de 16 anos, entre os dias 23 e 27 de julho. O intervalo de confiança é de 95%, o que significa a quantidade de vezes que se espera que a amostra utilizada represente de fato a população. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-09998/2026 E SP-04846/2026.
A mesma pesquisa também mediu a temperatura para a disputa ao governo de São Paulo. Tarcísio de Freitas mantém a frente sobre Haddad na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, com 41% das intenções de voto, contra 26% do petista no primeiro turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na sequência, aparecem Vera Lúcia (PSTU, 3%), Carlos Machado (PCB, 1%) e Vivian Mendes (UP, 1%). O levantamento mostra também que 13% dos entrevistados estão indecisos. Os brancos e nulos representam 15%.
Dispersão de votos
Os resultados mostram que a direita, com três candidatos ao Senado, enfrenta uma pulverização de votos. Conforme mostrou o GLOBO, o cenário se repete em outros estados e ameaça o plano da direita de eleger maioria na Casa. O fato de Marçal aparecer em terceiro lugar, ainda que não seja candidato, pode abrir uma nova seara de batalha por votos para os candidatos da direita.
Essa divisão tem sido motivo de preocupação entre aliados de Tarcísio, que tentam reduzir o impacto de Salles na disputa e focar na “união da direita”.
Durante a convenção do PL, realizada no último sábado, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), abordou o tema diretamente, ainda que não tenha citado o nome de Salles diretamente. Ele fez um paralelo com a eleição de 2024, em que o atual prefeito disputou votos da direita com Pablo Marçal (União) e quase acabou não indo ao segundo turno contra Guilherme Boulos (PSOL).
— Eu enfrentei uma das eleições mais difíceis, foram quatro contra mim, inclusive no nosso campo, para nos atacar. E é o que tem acontecido na disputa ao Senado. O nosso candidato é o Flávio, e aqui em São Paulo é o Tarcísio, o Derrite e o André do Prado e acabou. Quem for contra, está traindo aquilo que o Jair Bolsonaro decidiu. A gente precisa ter essa consciência e essa união — conclamou.

