Os órgãos do ajudante de cozinha Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, foram recolhidos nesta quarta-feira (16) no Hospital Estadual Azevedo Lima, pelo helicóptero de captação de órgãos da Superintendência de Operações Aéreas da Secretaria do Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES). O jovem teve morte encefálica confirmada nesta terça-feira (15), após ser baleado na cabeça durante uma abordagem policial em Icaraí, Niterói.
De acordo com a família, entre os órgãos doados estão o pâncreas e o coração. Em meio à dor pela perda, os parentes dizem que decidiram fazer a doação como uma forma de ajudar pessoas que aguardam por um transplante. Douglas William Alves, tio de Danilo, afirmou que quem receber o coração do jovem ficará com “o melhor que ele tinha para dar”.
— Autorizamos a doação dos órgãos dele. Ele vai salvar vidas. Quem receber o coração do Danilo vai receber o melhor órgão que ele tinha para dar — disse Douglas William Alves, no hospital.
A mãe de Danilo também falou sobre a decisão na porta do Azevedo Lima, onde o filho estava internado desde sábado.
— Ele era meu melhor amigo. O coração dele vai bater no corpo de outra pessoa, e essa pessoa vai ser mais feliz, com certeza — disse Débora Francisco, emocionada.
Em meio à despedida, familiares pediram justiça.
— Houve um assassinato. Esse militar (o policial) não pode ser solto, ele tem que ser excluído da corporação, tem que ir para Bangu. Ele é um risco para a sociedade — disse Douglas.
A mãe de Danilo também pede que a justiça seja feita.
— Eu quero justiça. Eu peço justiça, por favor. Não só por mim, mas por todas as outras mães — diz Débora.
Entenda o caso
Danilo foi baleado na cabeça na noite do último sábado (12), durante uma abordagem de policiais do Niterói Presente, na Rua Mariz e Barros, em Icaraí. Ele estava de moto e, segundo a família, seguia para o trabalho, onde atuava como ajudante de cozinha.
Segundo a Polícia Militar, os agentes tentaram abordar o motociclista após ele supostamente avançar um sinal vermelho, trafegar em alta velocidade e empinar a moto. O policial que efetuou o disparo afirmou, em depoimento, que viu Danilo levar a mão em direção à cintura e que o tiro ocorreu de forma involuntária.
Uma testemunha apresentou uma versão diferente à polícia. Segundo ela, Danilo já havia parado, levantado as mãos e foi atingido com uma bala depois que um dos agentes utilizou spray de pimenta. Após o disparo, os policiais fizeram uma revista e, segundo o depoimento de um dos militares, nenhum objeto ilícito foi encontrado com o motociclista.
De acordo com a mãe, motoboys que passavam pelo local na hora do acidente acompanharam a revista. O tio de Danilo disse que ele carregava apenas uma garrafa de café e uma muda de roupas na mochila.
O policial responsável pelo disparo foi preso e encaminhado para uma unidade prisional da corporação. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí investiga o caso, e imagens de câmeras de segurança são analisadas para esclarecer a dinâmica da abordagem.

