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Bruno Dantas oficializa saída do TCU e abre caminho para Senado indicar Pacheco

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: Ingrid Braga, dO Juruá em Tempo. 31/08/2026 às 15:15

O ministro Bruno Dantas vai oficializar nesta segunda-feira sua saída do Tribunal de Contas da União (TCU), abrindo caminho para que o Senado acelere a indicação do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga e tente concluir a escolha ainda nesta semana. A movimentação ocorre durante o esforço concentrado do Congresso e encontra uma articulação já montada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que trabalha há meses para levar o antecessor ao tribunal.

Aliados de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado ainda não recebeu a comunicação formal da saída de Dantas, mas indicam que pretende deliberar sobre a sucessão assim que isso ocorrer. A coincidência com o esforço concentrado é considerada favorável à operação, já que os senadores estarão em Brasília e haverá quórum para uma série de votações.

O nome de Pacheco é tratado por integrantes da Casa como uma escolha de interesse dos próprios líderes do Senado. No entorno do senador mineiro, interlocutores afirmam que ele não conduz uma campanha pela cadeira, mas também não se opõe à indicação caso o acordo avance. A avaliação entre seus aliados é que a eventual ida para o TCU deve ser encarada como um movimento construído pelo Senado.

A perspectiva de Pacheco assumir a cadeira também é bem recebida no entorno do próprio tribunal. A avaliação é que a escolha de um nome com experiência e trânsito institucional como o do ex-presidente do Senado facilitaria a sucessão e daria segurança à transição aberta com a saída antecipada de Dantas.

Dantas, Pacheco e Alcolumbre foram procurados pelo GLOBO nesta segunda-feira e não se manifestaram. O presidente do Senado também foi questionado especificamente sobre a possibilidade de deliberar sobre a indicação ao tribunal ainda durante o esforço concentrado desta semana.

Dantas integra o TCU desde 2014 e presidiu a Corte entre 2023 e 2024. Aos 48 anos, poderia permanecer no tribunal por mais de duas décadas, até atingir a idade para aposentadoria compulsória, mas decidiu antecipar a saída para seguir novos projetos profissionais. O ministro já mantém conversas sobre seu futuro na iniciativa privada.

Articulação antiga

A abertura da vaga permite a Alcolumbre avançar em uma operação política que começou a ganhar corpo meses atrás. Em maio, o GLOBO mostrou que o presidente do Senado passou a articular junto a aliados a indicação de Pacheco para uma eventual cadeira no TCU reservada à Casa.

O movimento ganhou musculatura quando integrantes do MDB, partido responsável pela indicação de Dantas ao tribunal, passaram a admitir apoio ao nome de Pacheco. A possibilidade também passou a circular de maneira mais concreta entre integrantes de União Brasil, MDB e PSD.

Na ocasião, senadores envolvidos nas conversas afirmavam que a escolha de Pacheco poderia ajudar a “pacificar” o ambiente político da Casa em um momento de crescente apreensão entre parlamentares. A avaliação era que acomodar o ex-presidente do Senado no tribunal permitiria agrupar diferentes forças políticas em torno de um nome com trânsito entre as principais bancadas.

A operação ganhou força em meio a um período de tensão entre o Senado e o Palácio do Planalto. Pacheco havia sido defendido por Alcolumbre para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acabou preterido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que escolheu Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso.

A opção de Lula provocou um rompimento de cerca de três meses na relação entre o presidente da República e Alcolumbre. Messias acabou rejeitado pelo Senado no fim de abril, numa derrota imposta ao Planalto em uma articulação que teve o presidente da Casa como peça central.

A ida de Pacheco ao TCU surgiu, nesse contexto, como uma alternativa capaz de contemplar o senador mineiro em uma cadeira cuja escolha depende do próprio Senado, sem necessidade de uma indicação direta do Palácio do Planalto.

Futuro fora da política

A abertura da vaga ocorre também depois de Pacheco encerrar as especulações sobre uma candidatura ao governo de Minas Gerais. Lula passou meses tentando convencê-lo a disputar o estado, considerado estratégico para a eleição presidencial, mas o senador resistiu às investidas e anunciou que deixará a vida pública ao término de seu mandato.

Enquanto a possibilidade de candidatura ainda estava aberta, a articulação de Alcolumbre pelo TCU chegou a criar uma nova frente de tensão com o Planalto. Integrantes do governo avaliavam que uma eventual saída de Pacheco para o tribunal retiraria de Lula uma das alternativas consideradas mais competitivas para montar seu palanque no segundo maior colégio eleitoral do país.

A decisão de Pacheco de não disputar, porém, destravou o cenário eleitoral mineiro. Depois de meses à espera do senador, Lula escolheu o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) como seu candidato ao governo do estado.

Com Pacheco fora da disputa eleitoral e decidido a encerrar sua passagem pelo Congresso, a possibilidade de assumir uma cadeira no TCU ganhou um caminho mais livre. Para aliados no Senado, a indicação passou a ser vista como uma saída natural.

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