A Polícia Federal ampliou a apuração sobre os bastidores de “Dark Horse”, filme inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). A corporação deu dez dias para que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) entregue informações sobre a produção, seu financiamento e as empresas e pessoas envolvidas no projeto.
O pedido integra uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Entre as informações solicitadas estão a situação do longa perante a Ancine, o cronograma informado à agência e os procedimentos administrativos relacionados à produção.
A PF também pediu a identificação de produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e demais participantes registrados no projeto. Outra frente busca saber se “Dark Horse” recebeu incentivos fiscais, dinheiro público federal ou benefícios de programas destinados ao setor audiovisual.
Dinheiro do Master
O interesse dos investigadores aumentou após a divulgação de mensagens relacionadas à captação de recursos para o projeto. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, reconheceu ter captado R$ 61 milhões do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo reportagens do Intercept Brasil, os recursos passaram por uma empresa ligada ao senador e chegaram a um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A investigação busca esclarecer o destino do dinheiro. Uma das suspeitas apuradas pela PF é se parte dos recursos atribuídos ao financiamento do longa teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos.
A relação entre o dinheiro e as despesas do ex-deputado ainda está sob investigação.
Ancine já autuou produtora
A produção também enfrenta um procedimento administrativo independente na Ancine. Em 28 de julho, a agência autuou a Go Up Entertainment por filmar “Dark Horse” no Brasil sem fazer previamente a comunicação exigida para produções estrangeiras.
Pelas regras do setor, uma obra internacional filmada no país deve estar vinculada a uma empresa registrada na Ancine, que precisa informar a produção e apresentar documentos como contrato, plano de filmagem e dados dos profissionais estrangeiros.
A irregularidade pode resultar em multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil.
A Go Up afirmou que pretende colaborar com as investigações, mas ressaltou que exercerá suas garantias legais e se opõe a diligências que considere excessivamente abrangentes.
Lançamento de grande porte
A Europa Filmes solicitou em junho o registro da obra estrangeira para distribuir “Dark Horse” no Brasil. O planejamento prevê presença em pelo menos 650 salas, com versões dubladas.
Jim Caviezel, ator de “A Paixão de Cristo”, interpreta Jair Bolsonaro. O enredo se concentra na campanha presidencial de 2018 e dedica espaço ao atentado sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora.
Segundo integrantes da campanha de Flávio, o senador aparece pouco na produção, enquanto Michelle Bolsonaro possui participação maior na trama. A avaliação do grupo é que o filme se aproxima mais de um thriller sobre a eleição e o atentado de 2018 do que de uma cinebiografia tradicional.
A distribuidora trabalha com uma faixa entre 800 mil espectadores, no cenário mais conservador, e mais de 2 milhões na projeção otimista.

