Principal nome da oposição na disputa presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL) chega na reta final das convenções partidárias sem ter definido um candidato a vice para sua chapa e com dificuldades para ampliar seu rol de alianças. O presidenciável tem dito que pretende escolher uma mulher como companheira de chapa, de preferência de um partido que tope se aliar à sua candidatura, mas as legendas procuradas por ele até agora resistem a fechar um acordo.
O prazo da lei eleitoral para que as siglas realizem suas convenções partidárias, etapa necessária para formalizar o apoio, termina na quarta-feira, prazo que Flávio pretende utilizar para as definições da vice e da coligação que levará às urnas em outubro.
Na semana passada, o presidenciável chegou a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser sua companheira de chapa, mas o partido dela divulgou uma nota em que decidiu pela neutralidade na disputa presidencial.
Ele também cogitou a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) como possibilidade. O partido dela, porém, também tende à neutralidade na eleição presidencial, mas ainda não divulgou uma posição. O martelo deve ser batido pela legenda na terça-feira, data da convenção nacional do Republicanos.
Além das dificuldades com o partido do Centrão, uma eventual escolha de Marques não é vista com bons olhos pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que já disse que é preciso haver um perfil mais político para a vice e que a ex-dirigente da Caixa não traz votos para Flávio.
Diante das dificuldades, uma parte do entorno do candidato do PL avalia ter a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), como vice. A legenda, no entanto, também indica optar pela neutralidade na disputa presidencial. O partido vai se reunir nesta segunda-feira para decidir a posição no pleito.
Como alternativa é citado o nome de Marina Candia (PSDB), mulher do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB). Nesse caso, também há dificuldades para fechar uma composição porque o partido dela também avalia adotar neutralidade.
Caso Flávio não tenha sucesso em atrair um partido aliado, o PL estuda algumas opções dentro da própria legenda para vice, como as deputadas Júlia Zanatta (SC) e Priscila Costa (CE). As duas já chegaram a sinalizar abertura para se candidatarem ao cargo.
Apesar disso, Flávio e integrantes do PL desejam insistir em atrair outros partidos e se recusam a definir antecipadamente que a candidata a vice vai ser do PL. A estratégia é usar todo o tempo disponível para tentar aliança com outro partido.
Desgaste interno
Além das dificuldades em atrair o apoio de outros partidos, Flávio também tem enfrentado desgastes internos, como a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Após a madrasta do senador expor as desavenças entre os dois no fim de junho, quando divulgou um vídeo dizendo ter sido “desrespeitada e maltratada” pelo senador, a expectativa de aliados era que um encontro neste domingo, quando Michelle teve sua candidatura ao Senado confirmada, pudesse simbolizar uma reconciliação. Ela, porém, não foi ao evento.
Durante o auge da crise, Michelle saiu da presidência do PL Mulher, ameaçou não ser candidata ao Senado e se desfiliar do partido. Apesar disso, Flávio gravou um vídeo pedindo desculpas, que foram aceitas por Michelle.
Os dois ainda não se encontraram pessoalmente, mas ela foi confirmada como candidata a senadora e divulgou uma carta em que declara apoio a Flávio como candidato a presidente.
Outros candidatos
Diferentemente de Flávio, a maior parte dos principais candidatos a presidente já definiram seus vices. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem confirmada a candidatura do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) à reeleição, o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, tem o presidente de seu partido, Gilberto Kassab, como companheiro de chapa, e o candidato do Missão, Renan Santos, terá o militar Aroldo Medina, também de sua sigla, como candidato a vice.
Além do presidenciável do PL, o candidato do Novo, Romeu Zema, também não definiu seu vice. Uma opção avaliada é a do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que apesar disso tem dito que vai ser candidato a governador do Ceará. O escritor Augusto Cury, pré-candidato do Avante, também não definiu quem vai ser seu vice.



