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Mendonça admite encontro com Vorcaro antes de assumir relatoria do caso Master

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: redação O Juruá em Tempo. 02/09/2026 às 11:00

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) ter se reunido em 2025 com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. A declaração foi divulgada poucas horas após o portal ICL Notícias publicar reportagem com áudios atribuídos ao advogado de Vorcaro, Ciro Soares, nos quais articulava encontros reservados do empresário com o magistrado para tratar de processos sobre precatórios sob tutela da instituição financeira.

Segundo nota oficial emitida pelo gabinete do ministro, Mendonça recebeu Vorcaro em apenas uma ocasião.

 

“O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”, informou a assessoria.

Áudios sobre “encontro secreto” e articulação política

A publicação do ICL Notícias apontou a existência de supostos encontros do ministro com o advogado do empresário em uma alfaiataria na capital paulista. Nas gravações vazadas, Ciro Soares afirma a Vorcaro que estava atuando em seu favor e cita a intermediação do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em uma das mensagens, o defensor relata: “Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno” e acrescenta: “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”.

A apuração veiculada pelo site destacou que não há registros de providências tomadas pelo magistrado após as interlocuções.

Em sua resposta, André Mendonça confirmou também a reunião com o advogado Ciro Soares para tratar de créditos de precatórios do interesse do Banco Master. O ministro ressaltou que, na ocasião, a matéria estava sob pedido de vista de outro integrante do STF e pontuou que Vorcaro realizou movimentações semelhantes com outros gabinetes da Corte.

Mendonça enfatizou que suas decisões no processo foram contrárias aos interesses de Vorcaro. “A atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos”, frisou a nota, acrescentando que todos os registros das audiências e os documentos entregues estão arquivados no gabinete.

Desdobramentos e reação de autoridades

A confirmação do encontro ocorre um dia após Mendonça, relator do processo do Banco Master no STF, retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O documento revelou indícios de proximidade entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de citar diálogos atribuídos ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e menções ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

Diferentemente de Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre os pontos levantados pela PF — entre eles, trocas de mensagens às vésperas da prisão de Vorcaro, a minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e a organização de eventos internacionais em Londres reunindo autoridades.

Por sua vez, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a anulação das provas colhidas na investigação, alegando que houve atropelo dos ritos processuais do STF na condução do caso por parte do relator.

Veja o que disse André Mendonça

Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.

Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto.

Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.

Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade.

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