Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram na semana passada com o presidente da corte, Edson Fachin, para discutir uma estratégia diante da crise desencadeada pelas denúncias que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e magistrados do tribunal. A proposta central é realizar uma “triagem” detalhada do vasto material que conecta Vorcaro a membros do STF.
A ideia é dividir o material em duas frentes: os casos que configuram delitos administrativos e funcionais, e aqueles que podem resultar em ações penais. O objetivo, segundo ministros ouvidos, é demonstrar que o STF está tomando medidas concretas para lidar com as suspeitas que atingem seus integrantes.
Um dos fatos que reforçam essa necessidade é a divulgação, pelo colunista Lauro Jardim, de um vídeo que mostra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa durante viagem em um jatinho pertencente a Vorcaro. A ala ligada a Moraes defende que a triagem inclua não só os casos dele, que trocou mensagens com o ex-banqueiro conforme o relatório da Polícia Federal, mas também as situações envolvendo todos os magistrados que tiveram contato com Vorcaro.
Além de Moraes, outros ministros como Kassio Nunes Marques também aparecem ligados a Vorcaro. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro indicam que o advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques, teria recebido pagamentos mensais de R$ 500 mil relacionados ao Banco Master. O site “Metrópoles” também revelou mensagens que mostram que Vorcaro teria alugado uma mansão avaliada em R$ 250 milhões no Rio de Janeiro no Carnaval do ano passado para um ministro tratado como “KN”.
Dias Toffoli é outro envolvido, com vínculos que passam por negócios familiares em um resort no Paraná, com encontros frequentes e viagens em aeronaves ligadas ao grupo de Vorcaro.
A ala próxima a Moraes defende que a triagem considere ainda outros episódios, como o encontro do decano do STF, Gilmar Mendes, com Vorcaro para discutir uma causa do setor sucroalcooleiro, as mensagens trocadas entre Vorcaro e o filho do ministro Luiz Fux, Rodrigo Fux, e o repasse milionário feito por um ex-parceiro de Vorcaro ao instituto que pertencia a André Mendonça.

