O candidato ao governo do Paraná, o senador e ex-juiz federal Sergio Moro (PL), diz, em sabatina realizada pelo UOL/Folha de São Paulo nesta sexta-feira (7), que não é adversário do atual governador do estado, Ratinho Jr (PSD) e que dará continuidade aos projetos do político. Na sabatina, Moro também pontuou que Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, “já pagou pelos erros do passado”, além de afirmar que o presidente Lula (PT) interferiu na Polícia federal (PF) para beneficiar o filho.
— Tenho uma relação cordial com ele [Ratinho Jr.], respeito. Nós vamos dar continuidade aos bons projetos do governador, inclusive em contato, em parceria com os prefeitos e com os municípios do estado do Paraná — destacou Moro.
Na pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 27 de julho, Moro aparece na liderança. Seu adversário ao cargo, Sandro Alex (PSD), escolhido pelo atual governador Ratinho Jr. como seu sucessor, aparece na quarta colocação, atrás de Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB). Nos três cenários testados de primeiro turno, Moro varia entre 39% e 40% das intenções de voto, além de também aparecer à frente de todos os outros candidatos em um eventual segundo turno.
O senador minimizou as investigações contra Valdemar Costa Neto, que foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de interferir na destinação de emendas parlamentares, mesmo sem ter mandato. Moro pontuou que viu a decisão com “um certo espanto” e que, na própria decisão, “não se afirma que houve qualquer espécie de desvio de valores de emendas parlamentares”.
— Os erros que ele [Valdemar] cometeu no passado, já pagou. Inclusive, ele cumpriu pena naquele período e se encontra, evidentemente, em outra situação no atual momento — destacou Moro.
Na sabatina, Moro acusou o atual governo do presidente Lula de interferir na Polícia Federal (PF) e disse que houve tentativa de tirar o ministro André Mendonça da relatoria dos processos contra o filho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha, no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador também afirmou que a base do governo “atuou para impedir a continuidade das investigações na CPMI do INSS” contra Lulinha, além de destacar que, caso Lula seja reeleito, terá uma relação republicana e institucional com o político.
— Eu tenho certeza que nós vamos trabalhar para virar essa página e para eleger o Flávio Bolsonaro como presidente da República. Teremos uma relação ótima — diz o senador.
Ao ser questionado sobre possibilidades de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, interferir na Polícia Federal caso seja eleito, Moro afirmou que a questão seria “fazer prognóstico sobre um futuro que ainda não se realizou”, e pontuou que o candidato à presidência está apresentando os seus projetos.
Em abril de 2024, Moro pediu demissão do cargo de ministro da Justiça, após Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, nome de confiança do ministro na corporação. Na ocasião, Moro acusou o ex-presidente de tentar interferir politicamente na instituição.
Na sabatina, o senador destacou que teve uma “divergência séria” com o ex-presidente, mas que se reaproximou de Bolsonaro em 2022 com um objetivo de tentar derrotar Lula (PT) nas eleições para a presidência.
— O que eu disse ali no passado, eu não retiro as minhas palavras. Nós tivemos uma divergência séria que levou que eu saísse ao governo. Mas a partir de 2022, nós iniciamos essa reaproximação porque existia um objetivo maior, que era a derrota do projeto de poder do Lula e do PT — destaca o ex-juiz federal.
*Estagiária sob supervisão de Cibelle Brito



