O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira que Jair Bolsonaro poderá voltar a disputar a Presidência da República em 2030 caso seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), seja eleito neste segundo turno. A possibilidade ganhou força depois de Flávio sair à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno e afirmar que pretende anistiar o pai e não disputar a reeleição.
Em entrevista à CNN, Valdemar disse não ter dúvidas de que Flávio, caso eleito, irá “liberar” Jair Bolsonaro para uma nova candidatura. Segundo ele, o ex-presidente poderia ser novamente um nome competitivo na eleição seguinte.
— O Flávio se elegendo presidente da República, ele vai liberar o Jair Bolsonaro. Eu não tenho dúvida disso. O Jair Bolsonaro pode ser um forte candidato daqui quatro anos. O povo vai querer Jair Bolsonaro — afirmou Valdemar.
Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira, Valdemar também afirmou que Bolsonaro deverá participar de um eventual governo do filho. Segundo o presidente do PL, o ex-presidente não deve necessariamente ocupar um ministério, mas deverá opinar e influenciar os rumos da administração.
— Ele vai participar muito dessa administração, sem dúvida disso. Não vai ser ministro, mas vai dar opinião — afirmou.
Questionado sobre quais cargos poderiam ser ocupados por Bolsonaro, Valdemar descartou a possibilidade de o ex-presidente assumir um ministério.
— Ele não vai querer ser ministro, não. Isso não passa pela cabeça dele — disse. — Tenho certeza que ele vai querer que o Flávio faça um governo parecido com o dele, de ter gente qualificada no governo e com autonomia — afirmou.
A avaliação reforça a perspectiva de que, mesmo fora formalmente da estrutura do governo, Jair Bolsonaro deve manter influência política sobre uma eventual administração de Flávio. Valdemar também defendeu que o ex-presidente teria interesse em participar da gestão e citou sua atuação como presidente como referência para o filho.
A possibilidade de uma candidatura de Jair Bolsonaro em 2030, porém, depende da reversão de sua situação de inelegibilidade. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou o ex-presidente inelegível por oito anos, até 2030. Ele também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de estado.
Flávio, por sua vez, já afirmou durante a campanha que pretende anistiar o pai caso seja eleito e que não pretende disputar a reeleição. A combinação das duas promessas abre espaço para uma eventual volta de Jair Bolsonaro à disputa presidencial em 2030.
Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. Cury teve 2,8%, Renan Santos (Missão), 2,2%, Ronaldo Caiado (PSD-GO), 2,1%, e Romeu Zema (Novo-MG), 0,27%.Além de projetar a participação de Bolsonaro em um eventual governo, Valdemar afirmou que o PL pretende negociar com partidos que estiveram na base de apoio ao ex-presidente para ampliar a aliança no segundo turno.
Segundo ele, a estratégia é se reaproximar de União Brasil, PP e Republicanos, siglas que, segundo Valdemar, em sua maioria trabalharam com Bolsonaro no governo anterior.
— Nós temos que nos aproximar novamente da União Brasil, do PP, do Republicanos, que quase todos trabalharam para o Bolsonaro. Nós temos que fazer um entendimento para que a gente possa ter esse equilíbrio. Nós temos que negociar com esses partidos — afirmou.
Valdemar também citou a necessidade de buscar o apoio dos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
— Nós temos que negociar para trazer esse pessoal, trazer os candidatos, trazer o apoio do Zema, Caiado, trazer o apoio do Cury— disse.



