Secretária de Saúde vira assunto do dia em sessão da Assembleia Legislativa

Deputados da base e de oposição mostram que Mônica Feres não terá vida fácil pela frente; Edvaldo Magalhães chegou a chamá-la de Damares do Acre, em referência à ministra que disse conversar com Jesus Cristo num galho de goiabeira

Embora confortavelmente instalada numa suntuosa sala de um dos prédios mais bonitos da Capital, o envidraçado que um dia serviu de sede do extinto Banco do Estado do Acre (Banacre), no centro de Rio Branco, onde hoje funciona a Secretaria de Saúde, e com o marido, o tenente- coronel do Exército aposentado Reginaldo Ramos Machado, aboletado num cargo federal na sede local do Incra, a secretária Mônica Machado Feres, que assumiu a pasta em maio deste ano, não terá vida fácil daqui por diante. Foi o que se depreendeu da sessão da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira 21, quando a secretária foi o principal assunto do dia. Suas orelhas devem estar quentes até agora.

Chamada de mentirosa e autoritária por ninguém menos que um dos deputados da base de apoio ao governo de Gladson Cameli, José Bestene, na semana passada, na sessão de hoje, além de duramente criticada por deputados de oposição, ele teve uma defesa tímida e sem convicção de deputados da base de sustentação do governo, incluindo o líder Luis Tchê (PDT). O deputado Marcus Cavalcante (PTB) foi à tribuna para dizer à oposição que, apesar das críticas, o setor de saúde do estado vai muito bem, obrigado. Mas não convenceu a ninguém. A secretária ganhou até um novo nome – a de Damares do Acre, numa clara referência à atabalhoada ministra da Mulher, da Família e de Diretos Humanos, Damares Alves, aquela que disse ter conversado com Jesus Cristo trepada no galho de uma goiabeira.

Enquanto isso, deputados como Edvaldo Magalhães (PCdoB), Jenilson Leite (PSB), que é médico, e Roberto Duarte (MDB), agora com o apoio de José Bestene, se revezavam na tribuna com discursos sempre cada vez mais ácidos contra a secretária. O resultado é que, a requerimento de Edvaldo Magalhães, a secretária deve ser convocada a ir à Assembleia explicar-se aos parlamentares – convocada, e não mais como convidada, como ocorreu no mês passado, quando Mônica Feres falou aos deputados numa dala de comissões, sem ser questionada.

Magalhães, aliás, cunhou o novo nome para a secretária de saúde, chamando de Damares. “No caso da Damares do Acre, há um silêncio que grita. Ela não fala, não diz como deve resolver os problemas da Saúde no Acre, mas toda vez que age, a exemplo da ministra, ela cria problemas”, disse Edvaldo Magalhães. “Ela parece querer desmontar o serviço de saúde do Acre. Por quê¿ para entregar o sistema a grupos interessados¿”, indagou o deputado ao criticar o que também chamou de militarização do setor de saúde, com a importação de oficiais aposentados do Exército para auxiliarem a secretária.

O deputado disse que essas pessoas não conhecem o Acre e tampouco sua realidade e por isso não deveriam ocupar tais postos. Para completar ainda mais a ira de José Bestene, que vem tendo amigos seus exonerados de funções na secretaria de Saúde, o deputado Fagner Calegário (Solidariedade) fez uma ironia com o colega. Disse que seus indicados têm a síndrome do Vasco da Gama, time de futebol nacional que vive caindo para divisões inferiores. “Vou trazer aqui à Assembleia o número de casos de pessoas que morreram nas mãos desta secretária”, disse Calegário, na crítica mais dura já feita à Mônica Feres.

Jenilson Leite, Roberto Duarte e Daniel Zen se uniram para beliscarem, todos de uma vez, o fígado da secretária. Duarte denunciou que pacientes continuam deitados até pelo chão no Hospital de Base, cujo prédio foi inaugurado faz menos de 15 dias com todas as pompas pelo governador Gladson Cameli. “Isso está acontecendo porque inauguraram o hospital, mas mandaram demolir duas alas sem estudo ou planejamento sobre a demanda do hospital. Coisa de quem não conhece a realidade do acre”, acrescentou Daniel Zen.