Sistema de Segurança prende 69 membros do Comando Vermelho em Rio Branco

Prisões significam o maior golpe contra a organização criminosa porque prendeu os responsáveis pela propaganda e até os dirigentes do bando  

 

O mais duro golpe já aplicado por instituições acreanas da área de segurança pública contra o crime organizado aconteceu em Rio Branco, no início desta semana, com a prisão nas últimas horas de pelo menos 69 pessoas apontadas como integrantes do crime organizado, principalmente do grupo que se identifica como CV – ou Comando Vermelho. A informações das prisões foi dada na manhã desta quarta-feira (24), em Rio Branco, durante coletiva de imprensa em que os responsáveis pelos organismo de segurança concederam entrevista na sede do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC).

A entrevista ocorreu para apresentação dos resultados de uma operação denominada “Hemólise”, que levou para a cadeia as principais lideranças do CV, principalmente os responsáveis pela propaganda e os que falavam pela organização, os chamados porta-vozes. As propagandas do grupo são as siglas CV pintadas em vermelho em prédios, muros e o outros espaços através dos quais os membros da facção anunciam que aqueles locais pertenceriam a territórios sob seus comandos. Foram presas pessoas que atuavam em 18 bairros de Rio Branco e mais quatro cidades do entrono da Capital.

O nome da Operação – Hemólise – vem do grego, haema, sangue e lysis, significa romper ou quebrar. É a destruição prematura das hemácias (glóbulos vermelhos) por rompimento da membrana plasmática, resultando na liberação de hemoglobina. No caso, foi aplicado pelo sistema de segurança como demonstração de que a prisão dessas 69 pessoas atingiu-se o âmago do CV em Rio Branco.

A operação reuniu pelo menos 200 policiais e foi desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com atuação em parceria da Polícia Militar, Tribunal de Justiça, MPAC e IAPEN (Instituto de Administração Penitenciária). “Foram cumpridas 101 ordens judiciais e pelo menos 69 pessoas pertencentes ao CV, que estavam fora do sistema prisional, foram presas”, disse um dos coordenadores do Gaeco, promotor de Justiça Danilo Lovrisário. “Essa operação atacou sobretudo aquilo que chamamos de frente de bairro, que são os integrantes da facção que atuam em ‘biqueiras’ e ‘boca de fumo’ controlando o tráfico de drogas. Essa operação contou com 101 mandados de prisão”, disse o delegado Henrique Maciel, diretor da Polícia civil.

A operação prendeu também conselheiros do Comando Vermelho que atuavam em vários pontos de Rio Branco, Sena Madureira, Porto Acre, Porto Walter e Plácido de Castro. “A operação também atingiu conselheiros da organização criminosas e ainda àqueles que eventualmente substituiriam os conselheiros que por algum motivo saíram da facção, como morte, prisão ou transferência para outros locais. A operação atinge um porta-voz da facção”, informou um comunicado da Secretaria de Segurança Pública.

“O crime não vai triunfar”, diz Major Rocha sobre as prisões e novas operações  

De acordo com o coordenador do Gaeco, o promotor Bernado Albano, a operação visou os integrantes que atuam cobrando mensalidades dos faccionados e das bocas de fumo, além de coagir e extorquir os moradores dos bairros como forma de manter a segurança dos moradores. “A operação visou enfraquecer a atuação do Comando Vermelho nos bairros, atuando contra os membros que atuam cobrando mensalidades dos faccionados e extorquindo moradores. Foram presos também conselheiros e o porta-voz da facção”, explica Bernardo.

O vice-governador do Acre, Major Rocha (PSDB), sob cuja responsabilidade está o sistema de segurança do Estado de acordo com determinação do governador Gladson Cameli a seu homem de confiança e substituto, também participou da coletiva de imprensa e afirmou que mesmo diante das operações que as polícias do Acre estão deflagrando é necessário trabalhar ainda mais para combater a violência no Acre. “Os bandidos é que não ousem achar que podem vencer a força do Estado. Nós temos a força, as armas, a lei, a disposição e o apoio da população para combatê-los e vamos vencer. O crime não vai triunfar”, disse.