Venezuelanos vagam pelas ruas do Acre pedindo esmola e governo cria política de apoio a imigrantes

Os venezuelanos, que buscam refúgio da crise que atingiu o país nos últimos anos, têm chegado ao Acre com certa frequência.

Há mais de 15 anos, a Venezuela enfrenta uma crescente crise política, econômica e social. O país vive agora um colapso econômico e humanitário, com inflação acima de 1.000.000% e milhares de venezuelanos fugindo para outras partes da América Latina.

O Brasil é uma das rotas escolhidas e muitos chegam ao Acre e ocupam as ruas da capital pedindo esmola para sobreviver.

Um levantamento da Secretaria de Estado de Assistência Social, dos Direitos Humanos e de Políticas para as Mulheres (SEASDHM) aponta que 69 imigrantes, entre venezuelanos, haitianos e de outras nacionalidades, entraram no Brasil pelo Acre este ano.

Um deles é José Sapata. Ele contou, à equipe da Rede Amazônica Acre, que demorou pouco mais de uma semana para chegar ao Brasil pegando carona e se aventurando pelas estradas. Ele veio com a mãe e os dois irmãos mais novos, que também ficam nos semáforos pedindo ajuda.

Ele é o filho mais velho e se sente responsável por cuidar de toda a família. Segundo ele, o momento mais crítico é na hora de dormir, porque teme pela segurança dele, da mãe e dos irmãos mais novos.

Ao ser questionado por que escolheu o Brasil, ele é enfático: “Vim pela comida”.

O grupo está custeando as despesas com hospedagem e alimentação com o dinheiro que arrecada nos semáforos. Alguns condutores se sensibilizam com as necessidades dos imigrantes Venezuelanos.

“A gente ajuda porque sente dó da situação deles, mas é complicado pro nosso estado, que já passa por dificuldades, ter que passar pelo constrangimento de ter que ajudar”, diz o policial militar José Pinheiro.

Na Avenida Antônio da Rocha Viana, uma das principais de Rio Branco, duas crianças venezuelanas, uma de oito e a outra de 12 anos, andavam sozinhas abordando os veículos em busca de dinheiro.Elas vão de carro em carro em busca de algum trocado.

Política para refugiados

No estado, não tinha uma política pública voltada para a situação dos imigrantes refugiados. Porém, a diretor de polícia de Direitos Humanos do Acre, Francisca Brito, diz que esse grupo começou a ser formado com vários órgãos.

“Desde o fluxo de 2010, com os haitianos, tem entrado muitos imigrantes pelas nossas fronteiras e não existe uma política estruturada para esse atendimento. Então, identificado isso, a secretaria começou a desenhar essa política, onde aconteceu a primeira reunião em Brasileia e nessa reunião nós ouvimos as prefeituras do Alto Acre e foi formado um grupo de trabalho com órgãos que são parceiros, que estão nos ajudando a criar essa política”, garante.

Ela destacou ainda que existe um acordo com a União para que o estado auxilie esses imigrantes, mas nunca foi cumprido. Entre os auxílios, deveria funcionar uma casa de apoio.

“Dentro do que tem esse acordo, a União financiaria essa política para que o estado e os municípios tivessem capacidade pra coordenador os atendimentos aos imigrantes que chegam pelas nossas fronteiras, incluindo uma casa de apoio, um centro de referência para imigrantes. Tudo isso tem que ser feito para que o atendimento seja humanitário e dado da melhor maneira”, explica.

Enquanto o estado desenha os termos do protocolo de assistência aos imigrantes, eles continuam nos semáforos em busca da solidariedade dos acreanos e de uma vida melhor.

  • Por G1 Acre.