Vereador eleito pelo PSDB deve deixar a sigla para se filiar ao PSB da prefeita

Clézio Moreira, que vinha sendo ameaçado de expulsão por votar com a base de Socorro Neri, deve romper de vez com os tucanos e buscar nova legenda para concorrer à reeleição

 

No colo da prefeita

A base da prefeita Socorro Neri, de Rio Branco, deve aumentar por esses dias, na Câmara Municipal. O vereador Clésio Moreira deve romper de vez com o PSDB, pelo qual se elegeu, se filiar ao PSB e apoiar a provável candidatura à reeleição da prefeita Socorro Neri. Pelo menos foi o que anunciaram pessoas próximas ao vereador.

Relações péssimas

A verdade é que as relações do vereador Clézio Moreira com a direção do PSDB, tanto municipal como estadual, sempre foram péssimas. Tudo porque, enquanto o PSDB faz oposição à prefeita Socorro Neri, o vereador votava com a bancada da Frente Popular na Câmara, aprovando tudo. As boas relações do vereador com a Prefeitura chegaram inclusive a ser questionadas pelo então presidente do PSDB regional, o atual vice-governador Major Rocha, que teria ameaçado o edil de expulsão.

Fora do barco

Com a chegada da deputada federal Mara Rocha à direção do PSDB, a situação do vereador com o partido não melhorou em nada. Embora mais mansa que o irmão quase sempre belicoso, Mara Rocha não falou em expulsão do vereador, mas chegaram a seus ouvidos que ele dificilmente teria a legenda do PSDB para buscar a reeleição. Moreira, que de beste só tem o andar, resolveu então pular fora.

Infidelidade partidária

Resta saber se, com sua saída, a direção do PSDB não vá tentar obter o mandato na Justiça Eleitoral por infidelidade partidária. Com as mudanças na legislação eleitoral, os mandatos já não pertencem à figura do eleito e sim aos partidos. Uma mudança de comportamento em relação à linha programática do partido ou ruptura ao ponto de ser necessário uma mudança de sigla, o partido pelo qual o eleito chegou ao mandato tem o direito de tentar reaver a posição para o suplente imediato. O suplente imediato também tem o direito de recorrer.

Exemplo de Cruzeiro do Sul

Um bom exemplo de que infidelidade partidária está virando coisa séria vem de Cruzeiro do Sul. No município, pelo menos dois vereadores perderam os mandatos a partir de recursos por infidelidade partidária. Foi o caso de Luiza Bruneta e Marivaldo da Varzea. Ambos foram eleitos em 2016 pelo MDB, mas depois deixaram a sigla e foram para o PP, do prefeito Ilderlei Cordeiro. O diretório do MDB de Cruzeiro do Sul recorreu ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e ambos perderam os postos. O caso deles vai virar jurisprudência.

 

O suplente titular

Com a cassação dos dois vereadores de Cruzeiro do Sul, quem acabou sendo beneficiado foi o eterno primeiro suplente Carlinhos, que acabou efetivado no cargo. Ele vem de pelo menos três mandatos em que assume o lugar de titular depois de ficar na suplência. Foi assim no caso da morte do vereador Celso Lima Verde, na legislatura seguinte em relação à cassação do vereador Marcos Lima Verde (filho do falecido) e agora, no terceiro mandato seguido, com a cassação de Luiza Brunetta.

Vereador de muda

O vereador Antônio Moraes, de Rio Branco, atualmente filiado ao PT, deve ir para o PSB. É o que ele tem manifestado a amigos. Concluiu que a sigla PT hoje é um fardo muito pesado para politicamente se carregar e que no PSB teria mais chances de renovar o mandato. Outra queixa de Moraes é em relação aos irmãos Forneck, o atual vereador e o ex que, aos olhos do petista rebelde, “só pensam nos seus interesses pessoais”.

MA vereador?

Ainda sobre vereadores, consta que as constantes visitas do ex-senador Jorge Viana e de outros grãos-vizir do PT no Estado ao ex-prefeito Marcus Alexandre teriam o condão de convencê-lo à disputa de uma vaga à Câmara de Vereadores ano que vem. Os dirigentes do PT sentem que a sigla ainda é um fardo e que se quiser manter o número de vereadores ou sonhar em fazer mais uma ou duas vagas, o ideal seria Marcos ser candidato a vereador e puxar votos para a sigla. Marcus deve estar bem tentado a embarcar nesta nova aventura…

De olho em 2022

O ex-prefeito, além de ser eleito e puxar votos suficientes para aumentar a bancada na Câmara, ficaria no cargo de vereador apenas por dois anos, quando sairia, em 2022, para a Assembleia Legislativa, à Câmara Federal ou até mesmo para o governo de novo na hipótese de o PT vir a se recuperar de seu último baque e o governo de Gladson Cameli naufragar. Jorge Viana é candidato natural ao Senado em 2022.

Sem segundo turno

Ainda sobre as eleições do ano que vem, ao que tudo indica, o nome do professor Minoru Kinpara começa a fixar-se no imaginário popular como futuro prefeito. Se conseguir se aliar ao senador Sérgio Petecão, com este indicando a candidata a vice de Minoru, que pode virem a ser sua esposa Marfisa Galvão ou sua irmã vereadora Lene, há quem diga que nem segundo turno haverá, principalmente se o ex-reitor conseguir também em torno de seu nome o governador Gladson Cameli e o vice Major Rocha.

Preparação de terreno

Uma possível chapa consolidada com alguém próximo a Petecão, em caso de vitória, deixa o senador ainda mais forte como candidato a governador em 2022. Embora não admita discutir em público o assunto, o fato é que Petecão já parece em campanha para o governo: todos os finais de semana, anda pelos municípios de todo o Estado, como já estivesse em campanha. Por onde passa, influi nas escolhas dos nomes dos futuros candidatos às prefeituras, dos vices e até de alguns vereadores. Tudo isso como estivesse preparando o terreno para2022.id

Farofa de ovo com farinha d’agua

O fato é que Petecão vem se mostrando um político muito habilidoso e popular. Observador da política local lembra que o senador vive no momento a mesma lua de mel que viveu com a população o ex-senador Jorge Viana, no auge de seu aparecimento como liderança política. O que mais chama a atenção em Petecão é que aquela popularidade de Jorge Viana na época, que parecia um tanto forçada, no caso do atual senador é algo natural, coisa dele mesmo, de tomar cachaça com os chamados pés-inchados nos mercados e invadir cozinhas de casas humildes da periferia em busca de farofa de ovo com farinha d’agua. Aliás, ele come isso com tanto gosto só para dar sede e poder entrar na casa seguinte a pretexto de pedir água.

Amarrou bem a suplência

A habilidade de Petecão foi tamanha que ele foi capaz de amarrar, como sua primeira suplente, a ex-deputada estadual Maria das Vitórias, viúva do ex-prefeito de Cruzeiro do sul, João Tota. Bairrista como o é o povo do Juruá, caso Petecão saia mesmo para o governo e tendo a possibilidade de concreta de voltar a vir a ter uma senadora da região, o juruaense votaria em peso no senador para o Governo. Por isso, ele nem precisaria ter como vice uma pessoa do Juruá.

Pipa pegando vento

A fortaleza de Petecão é ainda mais forte caso ele tenha um vice indicado pelo grupo do ex-prefeito Vagner Sales, liderança ainda muito forte no Juruá, apesar de todos os seus problemas com a Justiça. O ex-prefeito deve indicar a esposa, dona Antônia Sales, atual deputada estadual, como vice de Petecão. Ou a filha, a deputada federal Jéssica Sales caso consiga viabilizar a candidatura do filho Fagner para a Câmara. Enfim, Petecão está com a corda toda – ou, como no ditado popular, com sua pipa pegando vento.

Batida de chapas para o Senado

Outro fato que não passa desapercebido em relação ao senador Petecão, é sua aliança com o outro senador Márcio Bittar (MDB). Até mesmo a senadora Mailza Gomes (PP) parece propensa a apoiar uma possível candidatura de Petecão como governador, qualquer que seja o futuro do governador Gladson Cameli, que já disse ser candidato à reeleição. A aposta é que, em abril de 2022, Gladson renuncie ao governo, deixe Major Rocha em seu lugar e vá disputar de novo o mandato de senador. Vai bater chapa com o petista Jorge Viana.

Manuel Roque de volta

Na semana que passou, a novidade foi o ressurgimento do empresário Manuel Roque, antigo presidente do extinto PHS, agora na condição de presidente do Avante. O antigo partido de Roque foi um dos que foram extintos a partir da chamada clausula de desempenho, que varreu do mapa várias siglas, como o PMN – o PC do B só escapou porque conseguiu se fundir com o Pátria Livre, que havia eleito um deputado federal pela Bahia e, com a fusão, conseguiu fazer com que a bancada do partido atingisse o número mínimo das cadeiras na Câmara Federal.

Feio, muito feio prefeita!

É muito ruim para a imagem de um executivo ou executiva da área pública quando o Judiciário se vê obrigado a tomar decisões que deveriam ser da alçada do ocupante de cargo eletivo e que deveria cumprir com suas obrigações sem a necessidade de intervenção do Judiciário. Faço o presente comentário face à decisão judicial em que uma escola do município de Rio Branco deve ser reformada para oferecer condições adequadas para os alunos e funcionários, por decisão judicial.

Ilegalidade total

A decisão, contra a prefeita Socorro Neri, claro, é da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, que obriga a Prefeitura de Rio Branco a sanar irregularidades existentes na Escola Rural Natureza Viva. De acordo com a decisão, em até 90 dias devem ser apresentados Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros Militar, Alvará Sanitário emitido pelo Departamento de Vigilância Sanitária Municipal e relatório do Conselho Municipal de Alimentação Escolar, sob pena de fixação de multa diária no valor de R$ 1 mil. Ou seja, a escola vinha funcionando a um passo da ilegalidade total.