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Presidência da Câmara tem 14 candidatos, maior número desde 1979

Por Redação Juruá em Tempo.13 de julho de 20164 Minutos de Leitura
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A quantidade de candidatos à presidência da Câmara dos Deputados neste ano é a maior desde 1979, segundo levantamento realizado pela Secretaria Geral da Mesa Diretora da Casa. Ao todo, 17 parlamentares registraram suas candidaturas para ocupar a vaga deixada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou ao cargo na semana passada. Em seguida, Beto Mansur (PRB-SP) anunciou que deixaria a disputa, “para não ser um fator de divisão na base aliada” do governo Temer. Maria do Rosário (PT-RS) e Fausto Pinato (PP-SP) também desistiram. Ficaram 14 postulantes.

O chefe da assessoria técnica-jurídica da Mesa Diretora da Câmara, Fernando Sabóia Vieira, explica que até 1991, apenas o maior partido da Casa lançava candidatos ao cargo, o que ajuda a explicar o baixo número de candidatos à presidência da Câmara. Essa regra mudou a partir de 1993, quando diversos partidos passaram a disputar o cargo.

Curiosamente, antes das eleições deste ano, o maior número de candidatos à presidência da Câmara havia sido registrado em outra eleição-tampão. Foi em 2007, após a renúncia do então presidente Severino Cavalcanti (PP-PE). À época, foram dez candidaturas à eleição, que foi vencida pelo então deputado federal Aldo Rebello (PCdoB-SP).

Para Sabóia o grande número de candidatos à presidência da Câmara é resultado de uma conjunção de fatores: aumento do número de partidos com representação na Casa e a crise política.

“Nunca tivemos um número de partidos tão alto com representação na Câmara. São 28 agora. Além disso, temos um ambiente político fragmentado, um momento de transição de governo que faz com que as forças políticas ainda estejam se organizando”, afirmou Saboia.

A fragmentação política citada por Sabóia é vista tanto na base governista quanto no “centrão” e no bloco de oposição ao governo. No campo governista, o PMDB tem dois candidatos (Marcelo Castro e Fábio Ramalho), enquanto o DEM lançou a candidatura de Rodrigo Maia (RJ). O chamado “Centrão” é o que mais tem candidatos, das quais se destaca a de Rogério Rosso (PSD-DF), tido como o favorito do Palácio do Planalto ao cargo.

Na oposição, a fragmentação também é evidente. PT, PCdoB e PSOL, que se posicionaram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), também lançaram seus candidatos: Maria do Rosário (PT-RS), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Luiza Erundina (PSOL-SP).

Barganha
Cientistas políticos ouvidos entendem que a grande quantidade de candidatos reflete a tentativa de barganhar vantagens com o governo e a falta de forças capazes de aglutinar apoios na Casa.

“Por trás disso está o grande interesse de candidatos e facções de barganhar com o governo. A estratégia é levar para o segundo turno e barganhar. É uma barganha da pior qualidade, que reflete a qualidade do Congresso”, afirma o cientista político Antonio Flavio Testa, professor da UnB (Universidade de Brasília).

“A Câmara já vem há um bom tempo se fragmentando. É um sistema baseado no fisiologismo. Na medida em que os recursos ficam escassos, a base de apoio ao governo tem conflitos e vai se dividindo”, diz o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.

Para Melo, a derrocada de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é outro fator que reforça a fragmentação. Não há, segundo o professor, nenhuma liderança ou força que consiga dar coesão à Câmara.

Melo também diz que o governo Michel Temer (PMDB) não tem conseguido controlar o processo eleitoral na Câmara. “É um governo fraco e incapaz de estabelecer uma influência maior, um controle. Isso é surpreendente, porque Temer se colocou como alternativa à [presidente afastada] Dilma [Rousseff] dizendo-se um homem do Congresso, com habilidade de negociar e capacidade de comando.”

Testa e Melo acreditam que Rogério Rosso (PSD-DF) é o candidato com mais chances de ir ao segundo turno, mas consideram imprevisível o resultado da disputa. As negociações seguirão até o momento da votação.

Veja lista completa dos candidatos à presidência da Câmara:
Carlos Gaguim (PTN-TO)
Carlos Manato (SD-ES)
Cristiane Brasil (PTB-RJ)
Espiridião Amin (PP-SC)
Evair Vieira de Melo (PV-ES)
Fábio Ramalho (PMDB-MG)
Giacobo (PR-PR)
Gilberto Nascimento (PSC-SP)
Luiza Erundina (PSOL-SP)
Marcelo Castro (PMDB-PI)
Miro Teixeira (Rede-RJ)
Orlando Silva (PCdoB-SP)
Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Rogério Rosso (PSD-DF)

 

Giro UOL

 

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