Início / Versão completa
Principais Notícias

Consciência Negra: ‘cacheadas’ discutem beleza e empoderamento

Por Redação Juruá em Tempo. 22/11/2016 20:31 Atualizado em 22/11/2016 22:08
Publicidade

‘Cabelo de Bombril, bucha, vassoura, pixaim, toin-oin-oin’. Esses são alguns dos adjetivos ouvidos normalmente pelas pessoas que possuem cabelos crespos e cacheados. Não são poucas as mulheres que para evitar estes adjetivos, adotam as químicas de alisamento. Tratamentos normalmente caros e que danificam a estrutura dos cabelos: tudo para ‘ser aceita’ na sociedade.

Publicidade

Foi percebendo isso que a cabeleireira Kelly Cristina, junto com outras cacheadas resolveram se unir em uma espécie de ‘grupo de apoio’ para que as mulheres, e homens, que decidissem assumir a textura natural de seus cabelos pudessem se apoiar mutuamente e compartilhar dicas de como cuidar das madeixas.

“Revolta das Cacheadas”: cansadas das químicas e alisamentos, mulheres de cabelos crespos e cacheados se uniram para redefinir novos padrões de beleza.
Fabrícia, Kerolaine e Heloísa
Alice Souza e Bárbara Caetano

Os encontros que tiveram início através de um grupo de whats app e reuniões semanais, acabou ganhando corpo no projeto ‘Meu Cabelo, minha identidade’, apresentado ao público nesta terça-feira no auditório da SEE em Cruzeiro do Sul durante as atividades que reúnem a semana da consciência negra, o combate à violência contra a mulher e o dia internacional dos direitos humanos.

Jamile e Fernando, único homem do grupo

As mulheres do grupo apresentaram um jogral sobre Chica da Silva, personagem histórica de Minas Gerais, um dos símbolos da beleza da mulher negra, a jovem negra Bárbara Caetano cantou a música ‘Sarará Criolo’, imortalizada na voz de Elza Soares.

Publicidade

“Nosso projeto visa levar conhecimento às meninas, o que é uma forma de empoderamento. A gente fala sobre bulling, sobre preconceito, o que de certa forma ajuda essas meninas a se assumirem perante a sociedade”, explica Kelly Cristina, cabeleireira que especializou-se no cuidado ao cabelos crespos e cacheados.

Transição capilar e identidade

Dandara: da aceitação do cabelo, à descoberta de um continente correndo nas veias

Uma questão aparentemente banal, como aceitar os cabelos de modo natural, tem sido uma oportunidade para um mergulho nas questões de identidade e enfrentamento ao racismo e ao preconceito.

Dandara Santana, por exemplo, conta que ainda na infância teve seu cabelo alisado à força, com ferro de passar roupa, pois os adultos na qual estava sob responsabilidade, viam seus cabelos crespos como ‘feios’ e ‘sujos’.

Aos doze, adotou os alisamentos químicos: “na minha adolescência sofri muito preconceito por conta dos cabelos, o que hoje eu entendo como uma forma de racismo. Para muitos pode parecer uma brincadeira inocente, mas deixam marcas para toda a vida”, explica.

Depois do bulling, veio a busca por aceitação: “me vi incentivada a usar alisamento para poder me enquadrar nos padrões de beleza”.

Somente neste ano que Dandara resolveu abandonar os frequentes processos químicos e aceitar a textura natural.

A fase conhecida como ‘transição capilar’ envolve muita força de vontade e a pessoa pode se sentir abalada em sua auto-estima. Nesse sentido, o apoio mútuo através do ‘grupo das cacheadas’ é fundamental para atravessar essa fase.

Depois de se despedir de seus longos cabelos lisos, Dandara adotou o turbante: uma tradição africana que vem sendo redescoberta pela moda contemporânea.

“No começo era apenas aceitar o cabelo natural, mas depois acabei descobrindo um universo cultural riquíssimo, que fazem parte das minhas raízes, africanas e negras. Nesse sentido, a moda e a beleza têm um papel fundamental, pois trata-se de aceitação e identidade”, conclui.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.