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Em Brasília, Ilderlei Cordeiro usa PMDB para pressionar IPHAN a liberar loteamento particular embargado

Por Redação Juruá em Tempo.25 de julho de 2017Updated:25 de julho de 20174 Minutos de Leitura
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O prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro aproveitou sua ida oficial a Brasília para fazer uma ‘visita’ ao escritório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Brasília. Lá, tentou pressionar os servidores do órgão federal a liberaram um loteamento particular seu que está embargado desde novembro do ano passado.

Ilderlei teria dito que ‘O Ministério da Cultura é ‘nosso’ (do PMDB)’ como forma de exercer pressão política sobre o cargo e obter a liberação da obra.

Ilderlei descumpriu ordem de embargo

Por ser a região do Alto Juruá considerada de alto potencial arqueológico, há a necessidade, para empreendimentos de grande porte que mexam no solo (como aterros e jazidas de barro), em obter uma perícia prévia no local.

Ilderlei pulou uma das etapas de licenciamento que dependia de uma visita prévia do IPHAN no local. Em novembro de 2016 o IPHAN esteve no local e determinou o embargo da obra. O embargo, contudo, não foi cumprido por Ilderlei que continuou realizando aterros, cortes de terrenos, abertura de estradas e etc, o que foi constatado pelo mesmo IPHAN em nova visita em maio de 2017.

IMAC esclarece

O IPHAN solicitou oficialmente ao IMAC esclarecimentos sobre o porque de ter sido dado a licença prévia sem a necessária perícia. O próprio IMAC constatou danos à APP (Área de Proteção Permanente), com consequências diretas para os mananciais de água da região. Igor Neves, gerente regional do IMAC em Cruzeiro do Sul esclareceu que o órgão estadual teria dado apenas Licença Prévia que atesta a viabilidade da obra no local. A LP não autoriza por exemplo, a abertura de ramais e instalação de postes de luz. Segundo o gerente, assim que foi constatada a irregularidade, o próprio IMAC teria solicitado o embargo da obra. Igor afirma que a notificação do embargo teria partido do IMAC, e não do IPHAN.

Caso guarda semelhanças com o escândalo envolvendo Gedel Vieira

Guardadas as proporções ‘sucupiranas’ o caso Ilderlei guarda semelhanças com a questão envolvendo o então Ministro de Michel Temer, o também peemedebista Geddel Viera. Na época, Geddel, figura carimbada nos noticiários envolvendo escândalos de corrupção, pressionou o Ministro da Cultura, Marcelo Calero a liberar a construção de um edifício – uma obra embargada pelo IPHAN no centro de Salvador, -em um imóvel pertencente a ele.

O embargo visava proteger o centro histórico de Salvador, que seria impactado pela obra acima da altura permitida.

Marcelo Calero pediu demissão do governo após gravar a conversa com Geddel em que o ministro usava de sua influência para pressionar o IPHAN. Geddel foi preso no dia 3 deste mês pela Polícia Federal na Bahia. As investigações da Polícia Federal e do MPF apontam que Geddel e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atuaram na liberação de ao menos R$ 1,2 bilhão em empréstimos para empresas, em troca de propina.

A semelhança talvez não seja mera coincidência mas um padrão de comportamento político que define o modus operandi peemedebista.

Caso de Polícia

O loteamento Residencial Dona Arlete, na estrada da Boca da Alemanha, já foi alvo de polêmicas anteriores. Dias após a sua posse, em 2005, a prefeita Zila Bezerra compareceu à Delegacia Geral de Polícia para registrar Boletim de Ocorrência contra seu vice Ilderlei Cordeiro por ameaça. Segundo Zila, Ilderlei teria a pressionado para comprar o loteamento a fim de pagar dívidas adquiridas durante a campanha.

Potencial Arqueológico

O Alto Juruá é considerada de alto potencial arqueológico. A perícia visa evitar que seja danificado material importante para a compreensão da história da região. Importantes sítios já foram encontrados, como por exemplo, na comunidade Profeta, em Rodrigues Alves. Cerâmicas antigas, ‘pão de índio’ (bolo de macaxeira petrificado) e mesmo geoglifos já foram localizados na região. Restos de peças em cerâmica datadas de centenas ou talvez milhares de anos talvez ajudem a entender melhor a difusão de culturas importantes até hoje, como a da mandioca, por exemplo.

Caso houvesse material arqueológico na área, já teria sido irremediavelmente perdido.

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