É realmente sui generis o círculo de apoio que se forma em torno da candidatura de Gladson Cameli ao governo do Estado. Pode se dizer que tem de tudo. Nesta sexta-feira, por exemplo, Cameli recebeu o apoio de um grupo de personalidades políticas do Alto Acre, especialmente de Brasileia, em um encontro realizado na sede do PP em Rio Branco. O evento foi registrado em fotos que foram devidamente postadas nas redes sociais.
A maioria dessas personalidades é investigada pela Polícia Federal. O encontro, inclusive, foi coordenado pelo ex-secretário-geral do PMDB, Aldemir Lopes, que estava com uma tornozeleira de monitoramento eletrônico da Justiça, travada em uma de suas pernas. Na foto do evento, é possível ver Aldemir na cabeceira da mesa, tendo ao seu lado direito o próprio Gladson Cameli.
Aldemir é investigado por lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva. Ele chegou, inclusive, a ser preso preventivamente no ano passado durante a realização da “Operação Metástase” da Polícia Federal, que investigava o desvio de mais de R$ 7 milhões em recursos públicos de Brasileia. Junto com o ex-prefeito Everaldo Gomes e outros comparsas, ele usava o dinheiro para o pagamento de propinas, promovia o desvio de verbas e promovia contratos fraudulentos desde 2013. Lopes foi posto em liberdade em agosto de 2016, sob a condição de ter seus passos vigiados por meio eletrônico via satélite 24 horas por dia.
Junto com deputado federal Flaviano Melo, Aldemir Lopes é o maior cacique do PMDB no Acre. Ele está afastado da Secretaria-Geral do partido, mas continua dando as cartas, engendrando as coligações, candidaturas e conchavos políticos para as eleições de 2018. É ele um dos principais articuladores do apoio que Gladson Cameli vem recebendo do PMDB em todo o Acre.
Uma quadrilha?
Há outros nomes importantes que estiveram presentes na reunião com Gladson Cameli. Na foto postada nas redes sociais é possível ver na mesa, o ex-secretário de Obras de Brasileia, Clécio Gadelha, e de Agricultura, Joaquim Lira, além de Carlos Gadelha, conhecido como “fiel escudeiro” de Aldemir. Com exceção de Lira, todos esses estão envolvidos nas mesmas investigações da Polícia Federal. Um observador menos avisado poderia supor que se trata de um encontro de uma grande quadrilha com um candidato ao mais alto cargo na estrutura hierárquica do Acre, algo não muito bonito de se mostrar para o público eleitor.
E o resultado?
O leitor deve perguntar: o que ficou definido nesse grande encontro? Ficou definido total apoio do PMDB do Alto Acre à candidatura de Gladson Cameli. Mas a pergunta que deve ser feita é a seguinte: a que preço? Sim, a que preço, pois sempre se soube que Aldemir Lopes e seu grupo não dão ponto-sem-nó. Ou seja, exigiram algo em troca desse apoio. Só resta saber, na verdade, o que ficou prometido por Gladson Cameli. Com informações do Página 20.

