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México vê ressurgir onda de solidariedade em meio à tragédia

Por Redação Juruá em Tempo.20 de setembro de 20173 Minutos de Leitura
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Por toda a Cidade do México, iniciativas coordenadas ou espontâneas revelaram o trabalho de voluntários em auxílio a equipes de resgate que procuram vítimas e sobreviventes do terremoto que abalou o país na tarde de terça-feira.

O movimento, destacado pela imprensa local, fez o país reviver as memórias de 32 anos atrás, quando cerca de 10 mil pessoas morreram vítimas de um terremoto em uma tragédia amenizada pela união da sociedade civil.

“Este surgimento da solidariedade, que mudou para sempre o tecido social dos habitantes da Cidade do México em 1985, se ativou neste 2017”, escreveu Jenaro Villamil, da revista semanal mexicana Proceso.

“Em uma rua, na frente de um edifício de mais de 30 apartamentos que desabou, se ouve um chamado em voz alta (…): ‘Pessoas que queiram ajudar, formem filas'”.

“E aí apareceram vizinhos, adolescentes recém-saídos das escolas e muitas mulheres organizando a distribuição de água e também coleta de escombros”, acrescentou.

Em imagens gravadas na terça-feira, pouco depois do tremor de 7.1 graus atingir o país, uma corrente humana passava, um a um, escombros de um dos quase 50 prédios destruídos na densamente povoada capital.

Na escola Enrique Rebsaman, que desabou matando pelo menos 26 crianças e dois adultos, voluntários ajudavam socorristas a conseguir água, medicamentos e gasolina para geradores elétricos usados no resgate.

Era possível ver também voluntários deixando carrinhos de supermercado com alimentos e outros produtos de primeira necessidade nas imediações das áreas afetadas, conta o site mexicano Animal Político.

“Pessoas seguravam cartazes informando que os alunos Diego Vazquez, Anel Michelle, Karen Valentina, Roberto Espejel, Valentín Rull e Cyntia Vazquez se encontravam no Hospital Ángel de Coapa”. Tentavam ajudar pais a encontrarem seus filhos.

Cerca de 30 pessoas continuam desaparecidas após o desabamento da escola. A esperança é que muitas tenham conseguido sair antes de justamente a saída de emergência ser afetada.

Motos e bicicletas

Em meio ao trânsito caótico, motos e bicicletas viraram veículos ideais para transporte de itens de primeiros socorros.

“Coordenam o intenso tráfego para facilitar deslocamentos e levam água e alimentos para os que trabalham”, escreveu o jornal “El Periódico”.

Na área de Colônia Condesa, socorristas pediam silêncio para escutar instruções e possíveis sons vindos debaixo dos escombros. Pediram então baldes para retirar escombros. “O pedido rapidamente se espalhou e, em pouco tempo, baldes e recipientes de todas as cores começavam a chegar. Formando longas filas, os voluntários retiravam os escombros pouco a pouco”, descreveu o jornal.

Juan Paulier, correspondente no México da BBC Mundo, site em espanhol da BBC, registrou as cenas de uma espécie de posto de tratamento emergencial, montado ao ar livre, com uma sucessão de pessoas entregando materiais médicos organizados no chão por médicos e voluntários.

Juan Paulier conta que socorristas, perto de um prédio desabado, pediam também água para a população. Mas o objetivo aqui não era beber, mas introduzir a água em canos para descobrir de onde saia um forte vazamento de gás que poderia causar uma segunda tragédia.

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