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Língua Indígena ‘Hãtxa Kuin’ está em vias de ser declarada como ‘co-oficial’ no estado do Acre

Por Redação Juruá em Tempo. 07/12/2017 17:02 Atualizado em 09/12/2017 15:30
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Povo indígena mais numeroso do Acre, os Huni Kuin tem a população estimada em cerca de 14 mil pessoas vivendo em 12 diferentes terras indígenas distribuídas em todas as cinco micro-regiões do estado.

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Na década de 70 os missionários deram início à escrita da língua hãtxa kuin e desde então, professores indígenas com formação vem se dedicando à produção e organização de material escrito, destinado especialmente à educação especial indígena.

Encontro desta quarta (6/12) no gabinete do governador. No canto esquerdo o professor doutor Joaquim Maná. Foto Secom

É o caso do professor Joaquim Maná. Formado em História, com pós-graduação em linguística e doutorado em gramática, Joaquim trabalhou na revisão ortográfica da escrita hãtxa kuin, adaptando a representação dos fonemas à língua portuguesa.

Joaquim atua como coordenador indígena da Secretaria Estadual de Educação e dá muita ênfase à produção de material escrito na língua. Por se tratar de uma cultura oral, há muita riqueza presente nos cantos, histórias e mitos. “Mas para que possa fazer parte da educação formal indígena, deve passar para a escrita.”, explica Joaquim.

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O trabalho continuado de Joaquim e de outros professores indígenas tem rendido frutos.

Professores Huni Kuin tem priorizado a produção de material escrito na língua como forma de avançar na didática da educação indígena. Foto aquivo pessoal Joaquim Maná.

Nos meses de novembro e dezembro de 2016, na Terra Indígena Praia do Carapanã, em Tarauacá, foi realizado uma das etapas do Curso de hãtxa kuin, organizado por Mana. A iniciativa debateu e planejou a política pedagógica da educação escolar. Além disso, contribuiu para a revisão e criação dos materiais didáticos que serão publicados com apoio do governo do Estado. Na ocasião, Maná apresentou ao governador a proposta de criação de cinco centros de educação Huni Kuin, um em cada região do Acre. A ideia era criar esses centros nas próprias aldeias, no tradicional modelo de ‘shobo’ (chapéu de palha).

“É melhor que seja nas aldeias e não nas cidades, assim evitamos problemas, e também porque quem detém os saberes são os idosos, que estão nas aldeias”, explica Maná.

Juntamente com a escrita, a arte desempenha papel central na reprodução cultural Huni Kuin. Foto: O Espírito da Floresta

Contudo, há a proposta de criação de um curso de hãtxa kuin também na cidade, para atender ao público indígena urbano e também aos não-índios que desejem aprender a língua no Centro de Estudos de Línguas do Acre. Em 2008 já houve uma experiência nesse sentido na Biblioteca Pública do Estado.

Com todo empenho dos professores Huni Kuin, o governador Tião Viana manifestou a intenção de declarar a língua Huni Kuin como co-oficial no estado do Acre. Um reconhecimento que além de trazer mais visibilidade à cultura dos povos indígenas, também fortalece a construção da identidade do Acre, em uma história repleta de peculiaridades.

Fontes: Agência de Notícias do Acre; Povos Indígenas do Brasil – Instituto Sócio Ambiental

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