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Papai compra: Bittar fala em 30 milhões de esquema amazonense para comprar eleições no Acre

Por Redação Juruá em Tempo.23 de janeiro de 20184 Minutos de Leitura
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Se a cifra for confirmada, a campanha de Gladson Cameli ao Governo do Estado deve ser a mais cara da história. Deverá custar, ao menos, R$ 30 milhões, dinheiro a ser arrecadado pelo seu pai, o empresário Eládio Cameli, que atua na área de construção civil. O dinheiro deve chegar ao Acre, supostamente, por vias não lícitas. Ao menos é isso o que se pode entender a partir da fala do pré-candidato ao Senado pelo MDB, Marcio Bittar, gravada durante uma reunião com partidários. A gravação vazou e foi compartilhada em grupos de WhatsApp nesta terça-feira, 23, provocando crise que pode implodir a oposição no Estado bem antes da campanha eleitoral ter início oficialmente.

Na gravação, Marcio Bittar diz em alto e bom som que: “O pai dele [Elácio Cameli] pode levantar 30 milhões em espécie. Ele tem tamanho pra isso se começar agora”. O político deixa escapar a suposta ilicitude quando questiona um presente, possivelmente, um policial: “Agora você que é da polícia me responda: É fácil pegar esses 30 milhões de lá e colocar aqui na campanha?”. O interlocutor responde apenas um fraco “difícil”.

Para se ter ideia do quanto representa esse dinheiro, deve-se levar em conta que a soma do que foi gasto por todos os candidatos ao Governo do Acre em 2010 não chega a R$ 2.380.644,92, menos de 10% dos tais R$ 30 milhões. Naquele ano, a campanha mais cara foi do próprio Marcio Bittar, um total de R$ 2.150.861,68. A mais barata a de Antonio Rocha, do PSOL, que gastou apenas R$ 8.500. Tião Viana, que ganhou a eleição, gastou R$ 194.338,24. Tião Bocalom (DEM), o outro candidato, gastou um total de R$ 2.6895. Os dados são da prestação de contas enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AC).

Eládio, o homem dos 30 milhões
Eládio Cameli é um dos empresários mais ricos do País. Ele é o proprietário da empresa Etam. Essa empresa realiza obras de construção civil no Acre, no Amazonas e em outros Estados. Ela foi uma das responsáveis pela construção da BR-364, que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul. Também foi ela uma das subempreiteiras que ajudou a construir a ponte sobre o rio Negro, ligando Manaus à cidade de Iranduba, no Amazonas Iranduba e a construção da Arena da Amazônia que sediou jogos da Copa do Mundo de 2014.

Essa obra está eivada de irregularidades. O Ministério Público Federal, a Justiça Federal e o Tribunal de Contas do Amazonas acreditam que grande parte dos recursos da construção da ponte foram desviados para campanhas eleitorais naquele Estado.

No meio dessa confusão, Eládio surge como o homem que repassava recursos desviados da obra para o senador Eduardo Braga (PMDB/AM) e Omar Aziz (PSD/AM), entre outros políticos amazonenses.

A acusação contra ele na delação premiada feita pelo ex-diretor de Projeto de Infraestrutura da Camargo Corrêa, Arnaldo Cumplido, que denunciou esquema de desvio de dinheiro de obras como a de construção da ponte e da arena.

História
A propósito do empresário Eládio Cameli, seu nome surge, ainda, em outro grande caso de corrupção da política brasileira registrado no século passado: a compra de votos para a reeleição do tucano FHC. No citado caso, Eládio apareceu como o personagem que afiançava aos parlamentares acreanos a garantia do pagamento pelos votos registrados em favor da reeleição de FHC. Ainda na esfera do Acre, o escândalo também envolveu o ex-governador Orleir Cameli – tio de Gladson -, e os deputados federais João Maia, Ronivon Santiago, Chicão Brígido, Osmir Lima e ainda o empresário Narciso Mendes, responsável pelas gravações clandestinas realizadas para o jornal Folha de São Paulo por um certo Senhor X, codinome adotado pelo dono do Complexo Rio Branco de Comunicações.

Ouça abaixo a íntegra do áudio em que Marcio Bittar faz as afirmações:

https://youtu.be/HZEtrM4ixac

 

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