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Curso ensina a utilizar o broto de bambu como possibilidade de diversificação alimentar

Por Redação Juruá em Tempo. 05/02/2018 15:24 Atualizado em 05/02/2018 15:41
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por Rose Farias

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Um dos alimentos mais presentes na culinária asiática, o broto de bambu, começa a ser introduzido na alimentação acreana, a partir de um projeto de pesquisa e formação desenvolvido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect) e da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac).

Nos dias 24 e 25 de janeiro, na Escola da Floresta, um grupo de 27 pessoas, entre agricultores, técnicos e convidados, vivenciou uma experiência sobre o uso do ingrediente na alimentação com o primeiro curso teórico-prático de produção artesanal de broto de bambu, ministrado por Joventina Nakamura e Renilda Cunha.

A atividade iniciou com aula teórica com foco na composição biológica e química do bambu, como ação do Centro Tecnológico do Bambu (CVT Bambu). A iniciativa contou com o apoio do gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida.

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Na prática o grupo experimentou a coleta dos brotos de bambu com caminhada na floresta. A ideia foi para conhecer e descobrir o que pode ser colhido e como fazer o corte.  Após, ocorreu a limpeza com a retirada da casca, corte e a fervura.

Para Marlúcia Cândida, coordenadora do Programa de Gastronomia de Baixo Carbono, desenvolvido pelo governo do Estado, o bambu vem sendo utilizado há milênios na construção, ornamentação, confecção de utensílios e na alimentação.

“É uma planta que fornece a sustentabilidade. O governo quer incentivar o seu uso na alimentação, especialmente de brotos de bambu, como cultura e prática milenar dentro de um processo que ajudará na segurança alimentar e nutricional, saúde e de geração e fonte de renda para os produtores rurais e populações da floresta”, explicou.

Uma visão holística sobre a alimentação

Foi ensinado que algumas variedades são muito amargas, com mais ácido cianídrico, que é tóxico. Para isso é preciso fervê-los várias vezes, trocando de água para que se tornem seguros para comer.

Com três grupos formados, a próxima etapa foi elaborar as receitas na cozinha. Mas antes de iniciar esse processo um dos participantes, o massoterapeuta Bento Marques, da Divisão Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado de Saúde, ensinou a pratica de automassagem aos alunos.

Unir automassagem com o processo de elaborar o alimento com broto de bambu tem um significado holístico, segundo explica o massoterapeuta. “Como o bambu vem do oriente e automassagem também, me pediram para fazer a prática para todos que iam manipular a comida. Qualquer coisa que você for fazer e estiver com pensamentos bons é essa a energia que vai para a comida, caso contrário, a energia de raiva e negativa, vai o alimento. A prática foi holística, onde todos harmonizaram seus pensamentos internos”.

Após, os grupos seguiram para elaborar as receitas. Toda a prática passou pelo conceito de se buscar preparar o alimento no seu tempo, limpo e justo, um tipo de alimentação que remete ao passado. “Hoje se come tudo muito rápido e alimentos que não são bons para a saúde. No caso, tivemos que ir no campo, tocar, caminhar, respirar, pôr o pé na lama, limpar, auto massagear, fazer a comida e depois todos sentaram em harmonia para degustar. O alimento que entrou foi o que saiu da natureza, saudável e nutritivo”, disse Bento.

Cadeia produtiva do bambu

O estado possui a maior floresta de bambu nativo com 4,5 milhões de hectares, segundo dados da Embrapa. São referenciais que chamam à atenção de pesquisadores e empresários.

Para fomentar a cadeia produtiva do bambu, nos últimos anos o governo do Estado vem aplicando investimentos em ações de fomento à pesquisa e comercialização.

Em 2016, foi instituído pelo governo o Plano Estadual de Desenvolvimento do Bambu, desenvolvido pela Sect em parceria com a Embrapa e outras instituições.

O Plano prever para o desenvolvimento da cadeia o valor de mais de R$ 27,6 milhões. Cerca de R$ 18,7 milhões é referente à pesquisa, mais de R$ 1 milhão para plantio e R$ 7,9 milhões para ações de promoção e capacitação de comunidades.

“Essa é mais uma das tantas atividades previstas para desenvolver a cadeia produtiva do bambu com os produtores rurais. Queremos mostrar as várias possibilidades de se utilizar o broto de bambu como produto economicamente viável. Possuímos a maior floresta de bambu nativo no mundo”, comentou a gestora da Sect, Renata Souza.

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