Desde o início de usa carreira política, Gladson Cameli afirma ter como uma de suas principais inspirações seu tio, o ex-governador Orleir Cameli.
Em seus discursos, é fácil perceber como força para se parecer com o tio. Gladson busca forçosamente uma estética na sua linguagem que o faça parecer ao mesmo tempo popular, corajoso, sem meias-palavras. Um tipo de linguagem que remete diretamente ao estilo Orleir. Para um bom ouvinte, no entanto, é fácil perceber o quanto daquilo é interpretação.
O menino tratado a ‘leite-com-pêra’ frequentou boas escolas, chegou até a faculdade e faz parte de outra geração. Orleir fez a si mesmo com pouco estudo, mas muita observação e argúcia.
Já disseram que a estética forçadamente ‘povão’ o faz parecer na verdade, ‘rude’: uma pessoa que apesar dos estudos, prefere não suar a boa educação que recebeu.
Mas isso são apenas detalhes. Gladson diferencia-se de Orleir não tanto na forma, mas muito mais no conteúdo. Isso porque Orleir criou a marca de ‘cumpridor de palavra’, marca que diga-se de passagem, manteve mesmo quando empresário após sair do governo.
Já Gladson, ao contrário, promete sempre bem mais do que pode cumprir, e tem sido esse o principal fator desagregador do bloco de oposição. O mesmo expediente que utilizou no cargo de vice, prometendo-o a mais de uma pessoa e gerando uma disputa acirrada entre os partidos, faz também em relação ao ‘primeiro escalão’. Uma fonte fidedigna confirmou que o cargo de secretário de saúde já foi prometido há pelo menos, duas pessoas. A primeira uma mulher cruzeirense, e o segundo um homem, em um encontro que teve em Rio Branco. Talvez os quase 700 km que separam as duas cidades tenham dado a Gladson o conforto de que as duas jamais saberiam, mas como em uma daquelas comédias antigas em que duas mulheres de países diferentes descobrem serem casadas com o mesmo homem, quis o caprichoso destino que se encontrassem.
Como um vício, Gladson se beneficia do efeito imediato de suas falsas promessas, tentando agregar pessoas, famílias e grupos ao seu projeto político, mas depois de ‘passado a onda’, o efeito é desagregador: as chamadas ‘lutas intestinas’ no interior do bloco de oposição acabam por minar a unidade.

