O que deveria ser um evento marcante e o pontapé da corrida ao Palácio Rio Branco com a candidatura do senador Gladson Cameli ao Governo do Estado pelo PP e liderando todos os partidos de oposição ao PT e à Frente Popular, não acabou nada bem. Numa entrevista coletiva à imprensa, anunciada para ocorrer às 16 horas da tarde deste 15 de março, o anúncio de Gladson Cameli de que, enfim, havia chegado ao nome do deputado federal do PSDB Major Rocha como seu companheiro de chapa, como candidato a vice-governador, levou vários partidos de oposição que pareciam afinados com a candidatura do senador ao Governo, liderados pelo MDB de Flaviano Melo, a não comparecerem ao evento, mesmo que todos eles, por seus dirigentes, tenham sido previamente convidados. PTB e Solidariedade, partidos afinados com o ex-deputado Márcio Bittar, já definido como candidato ao Senado pelo MDB, se retiram do evento ao saberem que Major Rocha havia sido o ungido à condição de vice de Gladson.
O PMDB propriamente dito, agora sem o P, ao saber da confirmação de Major Rocha como vice, como se ainda dignidade restasse em zumbis da política como é o caso de Flaviano Melo, Eliane Sinhasique e Wagner Sales, também se retiraram da reunião e de imediato foram ao encontro do coronel Ulsses Araújo, pré-candidato ao Governo ainda sem partido e ao qual deverá ser oferecida a sigla que um dia foi presidida por um democrata da altura de Ulysses Guimarães. O Ulisses acreano não é diferente de Guimarães apenas pela falta de um ypisilon em seu nome. Falta-lhe, além do Phisique Du Rôle, como diriam os franceses para definir o traquejo para a coisa, as características que sobravam em Ulysses Guimarães.
No que diz respeito a não-participação do MDB na campanha de Gladson Cameli, decisão tomada naquilo que seria um grande encontro das oposições e que não ocorreu, o que mais chamou a atenção e cuja imagem, por si só, é o retrato do que é este partido hoje em todo o país, era a figura de triste memória do ex-prefeito de Brasiléia Aldemir Lopes. Acusado de corrupção mesmo quando não estava mais na prefeitura e quando lá mantinha apenas um preposto seu com o qual divida aos malfeitos da administração, Lopes está condenado a duras penas por levar para casa aquilo que é de todos – portanto, público! Na malfada reunião, o emedebista do Alto Acre se movimentava ostentando na perna canhota – com a qual ele fez belos gols quando era atleta festejado do Independência Futebol Clube – uma indefectível tornezeleira eletrônica. Nada mais MDB do que isso…
A foto que ilustra o presente texto, de tão reveladora, não necessita de legenda. Mas, para facilitar a vida do caro leitor, não custa nada a gente ajudar: ao centro, o senador Gladson, incrivelmente lúcido e ladeado por sua bela esposa, o deputado Major Rocha ao lado com a cara de quem se deu bem, tendo ao lado aquela cuja imagem não deveria ser exibida no horário em que há crianças na sala, com Bestene envergando a camisa com a cor de coveiro da oposição e, ao fundo, como sempre, o senador Sérgio Petecão certamente tratando de seus interesses pessoais e alheio, distante até, do que acontece entre os seus.
Com uma oposição dessas, até eu ganharia as eleições deles.
Por Tião Maia

