Há quem diga que na política as coisas mudam da noite para o dia, mas em se tratando da oposição acreana as decisões mudam até mais rápido, apenas uma reunião de fim de semana, ainda mais quando existem interesses pessoais como pano de fundo.
Não entendeu? Explico!
No último final de semana, um grupo de caciques, que estão mais para pajés, de alguns partidos de oposição se reuniram e decidiram que o melhor nome para compor a chapa majoritária com Gladson Cameli (PP), na disputa ao governo do Acre, seria o do deputado federal Wherles Rocha (PSDB). Tal “decisão” poria fim as pretensões do médico Eduardo Veloso (PSDB), que, a pedido de Cameli, teria se filiado à sigla tucana com a promessa de ser o vice.
Mas, quem acreditava que a novela mexicana, que se tornou a escolha do nome do vice na chapa oposicionista, teria chegado ao fim deu com os burros n’água. Nem bem a segunda-feira começava e os bastidores da política acreana fervilhava com um novo candidato a compor a tal chapa da oposição. Ulysses Araújo, o coronel candidato ao governo pelo Democratas e afilhado político de Bocalom passou a ser a bola da vez nas pretensões de Cameli, sendo inclusive convidado para uma reunião pelo próprio senador progressista.
Porem, não foi só o pré-candidato ao governo do Acre pala oposição que tentou persuadir o oficial militar. Durante uma rápida conversa, Ulysses Araújo declarou que foi procurado por lideranças de vários partidos da oposição e também pelos emedebistas Flaviano Melo, deputado federal, Vagner Sales, ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, atual prefeito de Cruzeiro do Sul e pelo pré-candidato ao senado da Republica pelo MDB, Márcio Bittar, esse o mais interessado em não ter Major Rocha como vice de Gladson, o que poderia por em risco o bom andamento de sua candidatura.
Rocha e Bittar são conhecidos adversários e inimigos políticos e um enfrentamento entre os dois seria questão de tempo. Rocha e o seu grupo político não aceitariam (como não aceitam) pedir votos para Bittar, o que poderia levar a um inimaginável apoio, por debaixo dos panos, claro, ao candidato petista, postulante ao cargo de senador e atual presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Ney Amorim, que é amigo do deputado tucano e goza da simpatia de vários membros da oposição.
Essa possibilidade levou Márcio Bittar a procurar Ulysses Araújo, como uma ultima tentativa de “salvar” sua candidatura ao senado. Caso Rocha seja sacramentado como vice na chapa de Gladson Cameli, Márcio Bittar poderá deixar o MDB e seguir, junto com outros quatro partidos nanicos, para formar uma chapa junto com o Solidariedade, presidido por sua esposa, Márcia Bittar. Nesse caso ele teria que concorrer a uma vaga na Câmara Federal.
É bem verdade que Bittar se acha a sumidade política da oposição. Recentemente se viu envolvido no vazamento do áudio de uma reunião, em que fazia duras críticas aos colegas de oposição, não poupando nem mesmo Gladson Cameli, dizendo, entre outras coisas, que o senador não tinha pulso firme para controlar os oposicionistas. O ego de Bittar é tão grande que ele nem se deu ao trabalho de se desculpar ou mesmo tentar desmentir as afirmações contidas no áudio.
Voltando ao Coronel Ulysses Araújo, que nos últimos dias tem crescido na intenção de voto dos acreanos, declarou que até abre mão de disputar o governo do Acre para ser o vice de Gladson, mas só se a oposição se unir e se organizar, caso contrário não tem acordo.
É coronel, ai estar o problema, algumas peças desse tabuleiro abrirem mão de seus projetos pessoais para um projeto voltado para o povo acreano.
Por Folha do Acre

