No Acre, 29 mil pessoas desistiram de procurar emprego no segundo semestre do ano e são consideradas desalentadas. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) trimestral divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no dia 16 de agosto.
Estas pessoas fazem parte da força de trabalho potencial, mas no período da pesquisa não estavam em busca de emprego por uma das seguintes razões: não conseguiam trabalho, não tinham experiência, eram muito jovens ou idosas, e não encontraram trabalho na localidade. No entanto, todas estas pessoas estavam dispostas a trabalhar.
Em comparação com o primeiro trimestre, o número de desalentados é 4.1% menor, e apresenta uma redução de mil pessoas no grupo, em números absolutos. Mas em comparação ao mesmo período do ano passado houve o crescimento de 16,1%, o que significa 4 mil acreanos a mais sem esperança de conseguir um emprego.
E as demissões são superiores as contratações no Acre. Em agosto, um total de 172 postos de trabalho foram encerrados. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho divulgado na sexta-feira, 21.
O índice negativo é resultado de 2.038 demissões e 1.866 admissões realizadas durante o mês de agosto. No ano, a geração de empregos segue com o saldo negativo, e acumula a perda de 459 empregos com carteira assinada. Nos primeiros oito meses do ano 15.719 pessoas foram admitidas, enquanto outras 16.178 perderam seus empregos.
Mais de 111 mil acreanos querem uma oportunidade de emprego, o que representa uma taxa de 28,3% da subutilização da força de trabalho, no segundo trimestre do ano. Este número agrega pessoas desempregadas; empregadas com tempo para outros trabalhos e pessoas com potencial para trabalhar.
Em maio, o economista da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), Carlos Estevão apontou que a economia acreana apresentou avanços importantes nos últimos anos, no entanto as melhorias não se mostraram suficientes.
O economista explicou que a partir de 2014 a crise nacional atingiu o Acre de forma mais forte, e provocou a redução drástica nas transferências federais para o Estado e, também, de investimentos diretos. “Como consequência, o Governo estadual diminuiu o ritmo das obras públicas e de outros investimentos planejados. O Crescimento das receitas próprias se estabilizou. A consequência direta foi aumento do desemprego”, explica Carlos Estevão.

