Por: Rafael Dene – Advogado e Empreendedor
O Brasil possui na agricultura sua melhor geração de riqueza, devido ao extenso território Nacional e a facilidade para a agricultura, e mesmo assim nossa produção agrícola ocupando o solo em apenas 7,8% (65.913.738 hectares) do território segundo a EMBRAPA. O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do Mundo, de acordo com estudos da NASA apresentados em 2017. Eles também demonstram que o País protege e preserva a vegetação nativa em mais de 66% de seu território, em comparação, a Dinamarca que cultiva 76,8%, dez vezes mais que o Brasil; a Irlanda, 74,7%; os Países Baixos, 66,2%; o Reino Unido 63,9%; e a Alemanha 56,9%, com isso, podemos aumentar nossa produção sem atingir as áreas protegidas, utilizando tecnologia e melhorando o solo de áreas degradadas.
O Estado do Acre é o decimo sexto mais extenso e o penúltimo no PIB Nacional, nosso estado vizinho Rondônia possui um PIB três vezes maior e com uma área de terra praticamente igual, e não é apenas por estar mais perto do centro do Brasil, pois, nossa localização é privilegiada e nos coloca na porta de 43 milhões de consumidores (Peru 32 milhões de habitantes e Bolívia 11 milhões de habitantes), e que também os tornam consumidores de produtos agrícolas, já que suas terras não os permitem grandes extensões de plantio (Peru 1.236.800 hectares e Bolívia 1.275.300 hectares). Como exemplo, o Município de Maracaju em Mato Grosso do Sul e apenas com o cultivo de soja utiliza 268,958 mil hectares, demonstração de que nossa posição nos coloca como natural fornecedor para dois grandes Países.
Hoje o estado precisa importar praticamente todos os produtos da cadeia alimentar, do mais básico como arroz e o feijão, até os que necessitam de uma tecnologia, como o leite e seus derivados. Passando pelas carnes bovinas e suínas, produtos estes que na década de 80 eram produzidos em grande escala pelos produtores locais.
No Brasil, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mais de 1.100 Municípios possuem seu seus PIBs vinculados ao agronegócio como principal fonte, como exemplo, a indústria representa o PIB de apenas 75 Municípios, no entanto, além da agricultura e pecuária, o agronegócio inclui as atividades desenvolvidas pelos fornecedores, pelos transportadores, beneficiamento de produtos, industrialização e comercialização da produção. O agronegócio consiste na rede que envolve todos os segmentos da cadeia produtiva vinculada à agropecuária.
O empresário ao investir no agronegócio necessita do mínimo de estrutura, tais como as vias rodoviárias ou fluviais para a escoamento dos produtos, de uma rede de transmissão de energia continua, de um sistema de transmissão de dados (internet) que abranja todo o estado, de uma mão de obra especializada e qualificada, de meios de transporte que possam alcançar as regiões e no caso da exportação, precisa vencer a burocracia alfandegária e fiscal, claro que alguns destes obstáculos necessitam de investimentos, e a iniciativa privada como ocorre em outros Estados, precisa de uma segurança jurídica e menos burocracia para aceitar esta tarefa. O empresário não procura sugar o Estado para tornar seu negócio rentável, ele apenas precisa que o Estado não faça de seu negócio o gerador de riquezas para sustentar as despesas do Estado e que também o Estado seja o principal concorrente ou empecilho para seu crescimento.
Com o incentivo certo o estado do Acre irá entrar em um ciclo de crescimento na qual a iniciativa privada será o puxador, tirando dos órgãos o peso de manter uma economia a base de contracheques, que na sua grande maioria geram cada vez mais despesas, não permitindo investir, pois a fonte de geração de financiamento (impostos) não cresce pela falta de uma economia em circulação, a mão do Estado precisa ser invisível

