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Ministra da Agricultura diz que índios serão ouvidos e Amazônia preservada

Mesmo sendo ministra da Agricultura do presidente da República que diz que vai usar terras dos índios para produzir e não tem compromisso com a floresta da Amazônia, mas apenas com os agronegócios que foremnela impulsionados, a deputada federal licenciada Tereza Cristina deu entrevista nesta quinta-feira, 17/01, para o jornal Correio Braziliense, da capital federal.

Na entrevista, a ministra jura de pés juntos que os índios serão ouvidos pelo atual governo e a maior, mais rica e mais bonita floresta tropical do mundo será preservada. Tereza Cristina também se comprometeu em adotar novas práticas no ser agrícola para favorecer os produtores rurais, sobretudo os pequenos.

Leia os trechos da entrevista que a ministra concedeu ao principal jornal de Brasília que tem a ver diretamente com os nove estados da região da Amazônia Legal. Se ela vai colocar em prática suas promessas, só veremos lá na frente com o desenrolar da gestão do atual governo. Se não cumprir tais promessas, pelo menos serão cobradas lá na frente pela mídia nacional e internacional. Veja a entrevista completa clicando no link.

Uma das preocupações é a demarcação de terras indígenas. Como vai ser isso? Há um risco de revisão das áreas já demarcadas? Como ficarão os índios mais isolados?

A grande maioria dos mais isolados já tem as suas terras com abundância. Hoje, 13% do território nacional é terra indígena. Nós só usamos 9% para a agricultura. O grande problema não são os índios isolados, mas as áreas das cidades. Em São Paulo, por exemplo, o Vale do Anhangabaú é dos índios. Em Santa Catarina, o Morro dos Cavalos. Esse é o problema. O conflito é que já tem gente lá. Precisamos harmonizar isso para ter um entendimento legal. Hoje, tudo se judicializa. Precisamos de leis claras que definam o marco temporal para as demarcações.

Os índios serão ouvidos?

Com certeza. Eu tenho recebido muitas mensagens. Na Frente Parlamentar de Agricultura, conversei muito com os índios nos últimos três anos. É claro que há os radicalmente contra qualquer mudança. Há outros que querem ser ouvidos e dizem que querem falar diretamente, sem intermediários. No Incra, vamos ter departamentos para cuidar disso. 

Nós vamos preservar a Amazônia ou haverá avanço do desmatamento?

Vejo uma grande preocupação principalmente dos militares, como o general Heleno e outros que conhecem a Amazônia. Eu nunca vi alguém falar que quer tirar. Há uma grande confusão proposital: que o ministério vai abrir a Amazônia para a agricultura. Não é verdade. Muito pelo contrário. Nós temos que ter uma discussão bem-feita, séria e técnica do que é Amazônia e do que é Amazônia Legal, que vai até a divisa com Mato Grosso do Sul. Essa extensão foi feita por causa da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), que é um programa de crédito. O estado queria ficar com os benefícios, assim como, no ano passado, passou no Congresso uma extensão de área para Minas Gerais sob o guarda-chuva da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Isso tudo avançou pelos benefícios e não pelo bioma. Tem que ter muito cuidado nessas discussões. Ninguém vai abrir a Amazônia, mesmo porque produzir lá é muito complicado, pode desertificar a região. Temos terras de sobra para produzir fora da Amazônia e aumentar a produtividade.

 

Por Romerito Aquino – Expressso Amazônia

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