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Presa no AC conta como é ver filho de 6 anos uma vez por mês: ‘ele diz que minha casa é cheia de cama’

Por Redação Juruá em Tempo.12 de maio de 20194 Minutos de Leitura
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Entre cobertas e roupas, Gilmara Marcílio, de 31 anos, procura as fotos do filho de 6 anos para mostrar. Exibe com um sorriso tímido os registros do garoto de cabelos claros.

Presa há mais de sete anos na Unidade de Regime Fechado Feminina de Rio Branco por tráfico de drogas, Gilmara vai passar mais um Dia das Mães vendo o filho apenas pelas fotografias.

Atualmente a unidade tem 256 presas, sendo que 178 são mães e outras quatro estão grávidas. As gestantes ficam em um pavilhão separado, que seria usado para visitas íntimas, mas acabou virando o berçário.

“Nunca passei Dia das Mães com meu filho. Vejo ele todo último sábado do mês. Fica feliz em me ver, por ele, vinha todo sábado. Pela minha mãe, não trazia porque não acha adequado o ambiente, mas digo que acho bom para ele ver o que passo pelas consequências dos meus erros. Entende que estou presa, não gosta do ambiente. Ele diz que minha casa é cheia de cama”, conta.

Presa diz que nunca passou o Dia das Mães com o filho de 6 anos — Foto: Aline Nascimento/G1
Presa diz que nunca passou o Dia das Mães com o filho de 6 anos — Foto: Aline Nascimento/G1

Gilmara foi presa pela primeira vez em 2013, flagrada em um laboratório de drogas. De lá para cá, ela engravidou duas vezes, sendo que a primeira filha nasceu prematura e morreu dias depois. Na época, ela cumpria a primeira condenação no regime semiaberto.

Abalada com a morte da criança, Gilmara quebrou o benefício e voltou para o regime fechado. Um ano depois engravidou do segundo filho depois de voltar para as ruas. Com um mês de gestação, foi flagrada em uma festa com um rapaz procurado pela polícia e acabou dentro do presídio novamente por tráfico de novo.

“A polícia estava atrás dele, mas conseguiu fugir. Fui pega, estava grávida, e o policial falou que eu estava com drogas, mas realmente não estava traficando. Estava pretendendo me entregar porque estava grávida”, relembra.

Separação

Nascido de parto natural ao oitavo mês de gestação, o menino teve pneumonia, ficou internado dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e voltou para o presídio com a mãe ao ganhar alta médica.

Com seis meses, Gilmara diz que precisou enfrentar um dos maiores desafios da vida, o de entregar o bebê para a mãe cuidar.

“Quando voltamos da maternidade ficamos em uma cela separada. Na época tinham umas cinco mulheres com bebês. Com seis meses, mandei ele com minha mãe. Logo que ele saiu conseguia ver quase todo mês. Mas, minha mãe não podia trazer ele todo mês. Não tinha condições financeiras, mora na zona rural. Para vim com ele tem que andar quatro quilômetros para pegar o ônibus”, lamenta.

Unidade Feminina possui atualmente 256 presas, sendo que 178 são mães e quatro estão grávidas  — Foto: Aline Nascimento/G1
Unidade Feminina possui atualmente 256 presas, sendo que 178 são mães e quatro estão grávidas — Foto: Aline Nascimento/G1

Para ajudar a mãe com o garoto, a presa aprendeu a fazer artesanato com outras detentas. Ela conta que vendia as produções entre as presas e com os visitantes, mas a nova direção determinou que os artesanatos sejam entregues para os familiares depois de prontos.

“Até posso vender ainda aqui, mas como se não vou ter para mostrar para as pessoas? Tenho que mandar para minha mãe, mas ela não tem tempo para sair e vender. Ganhava até um salário mínimo com as vendas e mandava para minha mãe”, acrescenta.

Terceira condenação

Antes de conseguir vender as produções de artesanato, Gilmara chegou a guardar drogas para outras detentas. Segundo ela, a prática rende de R$ 100 a R$ 150 pagos pelas colegas de cela.

Em uma das vezes, Gilmara foi flagrada por uma agente penitenciária e foi condenada pela terceira vez por tráfico de drogas.

“A primeira condenação foi de 8 anos, um mês e 15 dias; a segunda de 5 anos e a terceira de 8 anos e um mês. Vou receber o benefício do regime semiaberto em 2022”, fala.

É pensando nesse benefício e a oportunidade de ficar com o filho que Gilmara passa os dias. Ela garante que não vai voltar para o mundo do crime para dar o melhor para o garoto, mas teme a vida fora das grades.

“Tenho medo de como está o mundo lá fora. Penso todos os dias, tenho certeza que não volto para o mundo do crime. Vou tentar dar meu melhor”, afirma.

Por Aline Nascimento G1
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