O atual prefeito de Cruzeiro do Sul enfrentou, já nos dois primeiros anos de sua gestão, varias dívidas ocasionadas pela má gestão deixada pelo seu antecessor, Vagner Sales, algumas das quais resultaram a este, novas condenações na justiça.
Ilderlei teve de lidar com um início tumultuado por sabotagens praticadas por membros de sua administração leais ao velho patrão. Distanciando-se de Vagner, sofreu ataques externos, fosse através de setores da imprensa a soldo de Vagner, de sua horda de apoiadores acríticos, ou de articulações políticas visando isolá-lo politicamente.
Os ataques coordenados de Vagner à Ilderlei resultaram numa quase paralisia, sentida nas ruas de Cruzeiro do Sul e resultando na impopularidade de Ilderlei. Para prejudicar o prefeito que não cumpria mais suas determinações políticas, Vagner não hesitou em sangrar Cruzeiro do Sul.
Foi a partir da sua reforma administrativa que Ilderlei tomou as rédeas da situação. Alguns resultados já começam a aparecer. Ilderlei não teve medo de ousar e trazer inovações tecnológicas para Cruzeiro do Sul. Nos últimos dias, o centro de Cruzeiro do Sul assiste à implantação da tecnologia de micro revestimento asfáltico. Nesta semana, a gestão municipal em educação recebeu o reconhecimento de profissionais e adversários políticos. Ilderlei trouxe a questão ambiental para o centro do debate, modernizando a coleta e destinação do lixo.
De olho em uma possível integração com o Peru, Ilderlei articula um consórcio com outros municípios do Juruá para gerir o Fundo Amazônia, com visa a alavancar o ecoturismo e o desenvolvimento sustentável. Enfim, Ilderlei demonstra ser capaz de pensar Cruzeiro do Sul a partir de suas potencialidades e não como apenas uma ‘barranca’ para servir de curral do votos dos mais humildes.
No momento em que Ilderlei começa a colher algum resultado político de seu trabalho, Vagner, mais uma vez usa de sua influência junto a setores da imprensa acreana para aquele que pode ser seu último trunfo: ressuscitar a ação de investigação na justiça eleitoral em que, ele próprio, Vagner Sales, é acusado de usar estrutura e funcionários da prefeitura para comprar os vereadores do PSDB em favor da candidatura de Ilderlei. A ação, inicialmente teve sua principal prova considerada ilegal: um áudio em que Vagner Sales oferece dinheiro para que um vereador se retire da disputa.
O caso foi ao TRE em Rio Branco e retornou com um parecer favorável à apreciação do áudio como prova. A matéria, além de erros grosseiros de apuração, traz as digitais de Vagner no seu interesse em destruir o adversário, pela ameaça de sombra que este parece lhe fazer.
A estratégia, que à primeira vista parece suicida, faz mais sentido quando sabe-se que Vagner Sales, um político já condenado, ficha suja e inelegível, seria na prática pouco afetado pela decisão. Ilderlei, pelo contrário, perderia seu mandato e se tornaria inelegível por oito anos.
Para um político em vias de perder seu cargo comissionado, justamente em função da lei estadual que proíbe políticos fichas sujas a cargos comissionados, talvez seja esse o consolo que lhe resta: imputar a seu atual adversário político, a marca da sujeira em que vive atolado.

