O estado do Acre teve 516 pessoas assassinadas em 2017. É o que revela o Atlas da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado nesta quarta-feira (5).
O número indica o registro de 14 mortes a menos que o divulgado pela Segurança para o Monitor da Violência, que é o índice nacional de homicídios criado pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.
Os dados do Atlas são do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Conforme o estudo, o Acre atingiu a maior taxa de letalidade violenta intencional do país com 62,2 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.
“O crescimento da violência letal no Acre está intimamente associado à guerra por novas rotas do narcotráfico que saem do Peru e da Bolívia e que envolve três facções criminosas. O MP-AC mapeou mais de 10 rotas, a maioria delas perto da fronteira com o Peru, onde a droga é transportada por via fluvial e depois terrestre (pela BR-364), até chegar ao Rio Branco, onde nos bairros da periferia se travam as batalhas com maior número de vítimas pelo comando do tráfico na região”, aponta a pesquisa.
Maior taxa de vítimas mulheres
O Atlas da Violência mostra ainda que houve um aumento nos homicídios de mulheres em 2017. O estado do Acre aparece como o que teve a maior taxa de violência letal contra mulheres, com 8,3 para cada 100 mil mulheres. Rio Grande do Norte, também teve taxa de 8,3, Ceará foi 8,1 e Goiás de 7,6.
Em 10 anos, 228 mulheres foram assassinadas, segundo os registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Somente em 2017, foram 34 mortes.
Se for levada em conta a última década, de 2007 a 2017, houve aumento de 30,7% no número de homicídios de mulheres. A taxa passou de 3,9 para 4,7 assassinadas a cada 100 mil. Mulheres negras são a maioria dos casos.
Mortes de jovens
O relatório chama a atenção para o que classifica de “juventude perdida”. É que os jovens de 15 a 29 anos formam a parcela mais atingida pela violência. Em 2017, foram assassinados 297 jovens, uma taxa de 126,3 mortes a cada 100 mil – recorde dos últimos 10 anos e uma das maiores do país.
O número de assassinatos por arma de fogo, aliás, cresceu 69,9%% entre 2016 e 2017, chegando ao patamar inédito de 384 mortes – ou mais de 74% dos homicídios registrados no ano.
O estudo mostra ainda o crescimento da taxa de homicídios contra negros no estado do Acre. O estado teve o segundo maior crescimento desse índice, saindo de 91 mortes em 2017 para 428 em 2017.

Violência contra a população LGBTI+
Pela primeira vez, o Atlas fez também um capítulo para mostrar a violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais (LGBTI+).
Apesar de não haver dados do tamanho da população LGBTI+, já que o IBGE não faz nenhuma pergunta sobre orientação sexual, o Atlas usa dados do Disque 100, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e dos registros administrativos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
O relatório mostra no Acre, houve uma redução nas denúncias de violência contra população LGBTI+, saindo de cinco em 2016 para 1 em 2017. Após o registro de 2 homicídios em 2016, não houve casos em 2017.
Dados nacionais
Em todo país foram registrados 65.602 assassinatos em 2017, segundo o Atlas da Violência. O número indica o registro de 1.707 mortes a mais que o divulgado pelo próprio fórum em seu anuário, que tem como base os dados das secretarias da Segurança.
Com relação à morte de jovens, em 2017, foram assassinados 35.783, uma taxa de 69,9 mortes a cada 100 mil – recorde dos últimos 10 anos.
Um outro dado mostra o quão grave é a situação: os homicídios foram a causa de 51,8% de todas as mortes na faixa de 15 a 19 anos. Em 15 estados, a taxa de jovens mortos foi superior à média nacional.

