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Em pronunciamento à nação, Trump diz que Irã está recuando e que EUA querem abraçar a paz

Por Redação Juruá em Tempo.8 de janeiro de 20204 Minutos de Leitura
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Em pronuciamento oficial à nação sobre o ataque iraniano a duas bases que abrigam soldados americanos no Iraque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã parece ter recuado. Ele confirmou que nenhum soldado americano foi morto ou ferido, afirmou que os danos às instalações americanas foram mínimas. O presidente disse ainda que os Estados Unidos querem “abraçar a paz” e que não têm intenção de usar seu poderio militar contra o país persa.

Ao lado do vice-presidente Mike Pence, do secretário de Defesa, Mike Pompeo e de diversas figuras da alta cúpula das Forças Armadas dos EUA, Trump defendeu o ataque que matou Soleimani e anunciou que irá impôr mais sanções ao governo iraniano. Ele fez ainda um apelo para que os países europeus saiam do acordo nuclear de 2015 e que afirmou, antes mesmo de dar boa tarde, que o Irã nunca terá uma arma nuclear enquanto for presidente.

No pacto composto orginalmente por Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Rússia e China, o Irã aceitou reduzir significativamente suas atividades nucleares, incluindo o nível de enriquecimento e o estoque de urânio enriquecido, por 15 anos. Logo após anunciar a saída americana, Trump voltou a sancionar o país persa, aumentando as tensões regionais.

O presidente americano disse ainda que como os Estados Unidos não dependem mais do petróleo do Oriente Médio, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — que tem os EUA como seu financiador principal — deve aumentar suas atividades na região.

Esta foi a primeira vez que Trump tentou explicar as motivações que levaram ao assassinato de Soleimani e suas consequências. Até o momento, o presidente havia concedido rápidas entrevistas e postado diversas mensagens em suas redes sociais, mas não realizou comentários mais extensos ou concretos. Na noite de ontem, em resposta à retaliação iraniana, Trump recorreu ao seu Twitter para dizer que está “tudo está bem” e que os EUA “têm as Forças Armadas mais poderosas e bem equipadas do mundo, de longe”.

Até esta quarta-feira, as mensagens da Casa Branca vinham sendo confusas e conflituosas. Após ameaçar uma resposta “desproporcional” a uma possível retaliação iraniana, afirmando ter como alvo 52 locais que incluiam pontos culturais, ele foi obrigado a voltar atrás. Pela lei internacional, destruir deliberadamente locais com importância cultural é considerado crime de guerra. O quartel-general americano em Bagdá, por sua vez, chegou a divulgar uma carta em que anunciava a retirada das tropas americanas do Iraque. Horas depois, o Departamento de Defesa disse que o documento tratava-se apenas de um rascunho e que não há planos para uma saída completa.

Ainda assim, as reações oficiais que sucederam o ataque iraniano foram entendidas por analistas como sinais de que os foguetes poderiam pôr fim ao conflito imediato, ao invés de catalisar um confronto maior que poderia se transformar em uma guerra. O premier iraniano, Mohammad Javad Zarif, disse lovo após o ataque que o Irã havia “concluido suas resposta proporcional” em retribuição à morte de Soleimani. O aiatolá Ali Khamenei, por sua vez, disse que a resposta final iraniana será expulsar as tropas americanas do Oriente Médio — comentário reforçado pelo presidente Hassan Rouhani — mas não falou nada sobre novos ataques.

Ainda que não haja um conflito direto, no entanto, as divergências entre Teerã e Washington podem se traduzir em outros pontos. Ultrajado com o fato de que Soleimani foi morto enquanto chegava ao aeroposto internacional de Bagdá, o Parlamento iraquiano votou pela expulsão dos cerca de 5.200 soldados americanos atualmente no país. A decisão não é vinculante, mas o Pentágono, segundo o New York Times, já se prepara para a possibilidade de ver sua presença se esvair quase 17 anos após a invasão ordenada pelo então presidente George W. Bush, em 2001.

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